[Agência Digital na prática] Introdução

Agencia Digital na Pratica Introducao

E você resolveu empreender?

Nesses últimos 21 anos eu desenvolvi diretamente mais de 500 sites, e participei do desenvolvimento indireto de mais algumas centenas, de todos os tipos de empresas, e para todos os tipos de funcionalidades, de todos os tamanhos, grandes orçamentos e pequenos orçamentos, equipes grandes e somente eu.

Dei muitas ideias, avaliei muitas ideias de outras pessoas, tive bons frutos e também más experiências. Mas além dos trabalhos fantásticos, também conheci pessoas excelentes.

E a Internet começou

E eu achei que devia seguir meu rumo, aprender mais, fui trabalhar para um antigo cliente, Breno, no seu provedor que chamava Net Market. Precisava entender mais disso, do mercado, das particularidades, isso para mim faz sentido.

Se quiser atuar num mercado vá descobrir tudo sobre ele antes de abrir a sua empresa.

Lá na Net Market eu gerenciava a pequena equipe de desenvolvimento, que desenvolvia sites para clientes corporativos, bem como dava manutenção nas páginas e conteúdo do portal para os clientes de linha discada.

Bons tempos, muito aprendizado, lá trabalhei com a Carla (que levei da Appoint, uma desenhista/animadora de mão cheia), João (que viria a se tornar meu sócio), Mariano, jovem nerd com excelente potencial, Leandro sócio do Breno, o Luciano e uma grande equipe de pessoas que me relaciono (com a maior parte) ainda hoje.

Mas aí as coisas começaram a sofisticar. A Net Market se reestruturou e se juntou à Voyager, outro provedor de tamanho semelhante, onde conheci o Allan e o Jonatas (que mais tarde me chamariam para me juntar a eles), para ser vendida ao Terra.

Fiquei poucos meses e entendi que a minha hora tinha chegado novamente, abri minha primeira “agência digital” de fato.

Agências Digitais

O nome não era usado na época ainda, mas saindo da Net Market convidei o João, um excelente programador que estudava Farmácia para se juntar a mim e ao Daniel, amigo de longa data e comercial, juntamente com Gustavo, designer que conhecera nos tempos da Appoint e estava disponível no mercado.

Fundamos assim a Espacio Digital. O nome foi escolhido porque depois de dezenas de negativas da junta comercial com relação aos nomes anteriores, peguei um material de estudo da minha irmã (estava estudando espanhol na época) e comecei a mexer e procurar algumas palavras que poderia combinar. E surgiu o nome.

A Espacio começou pequena, tínhamos as tarefas bem definidas, um designer, um programador, um comercial e um que visualizava as demandas, detalhava, especificava e juntava as partes e revisava para entregar ao cliente (esse que vos escreve).

Crescíamos como tinha que ser, devagar, mas sempre em frente, prestávamos serviços para outras agências, tínhamos um nome no mercado, clientes já nos procuravam diretamente, a prospecção era mais passiva, e aí certo dia um cliente fez uma proposta para dois de nossos sócios, Gustavo e João, que acharam por bem aceitar.

Foi ruim sim, mas entenda, ninguém é insubstituível.

Nesta época também tivemos excelentes colaboradores, lembro muito bem do primeiro, Fabio, perdemos ele para um grande concorrente, não valorizamos o quanto ele era importante para nossa empresa e ele se foi. Também tivemos Marquinhos, Marcão, Fernando, Cris e Maurício, e inúmeros outros, foram centenas!

Fabio hoje é presidente de uma grande empresa de inteligência competitiva. Isso mostra que você vai ser sempre formador de boa mão de obra para a concorrência se não criar um plano para valorizar seu principal ativo, as pessoas!

Ficamos eu e Daniel, com medos, mas com certezas também, contratamos pessoas do mercado (e com custos do mercado) e seguimos a vida. Paralelo a isso começamos a trabalhar com uma agência que nos indicava muitos trabalhos, mas não tinha mão de obra para executar, terceirizava conosco suas demandas.

As coisas foram andando, fomos conhecendo melhor o povo da tal agência, sinergias aumentando, em certo ponto tínhamos três empresas muito próximas a nós. E aí o que fizemos? Vamos nos juntar e virar uma grande empresa, faturar muito mais que separadamente. Eu, Daniel, Alexandre, Geraldo, Tiago, Leandro e Ronaldo.

E fizemos isso. Não vou entrar em detalhes, mas vou simplificar. As coisas não funcionaram como o esperado. Éramos jovens, idealistas, mas ao final de cada dia, de cada demanda, de cada ação, éramos 7 para decidir qualquer coisa. E todo mundo tinha opinião.

Antes eu e o Daniel sentávamos, discutíamos e resolvíamos todas nossas demandas, as vezes um cedia, as vezes o outro, porém agora era quase um sistema de votação, constantes eram os “empates”, discussões acaloradas, e o tempo e energia perdido nisso saía da gestão do negócio, do comprometimento com as demandas dos clientes, tudo começou a parar.

Éramos 7 boas pessoas, o Ronaldo tinha MBA no exterior e trabalhou em grandes empresas .com nos EUA, na época anterior a nossa fusão. Logo, boa vontade, esforço, capacidade técnica não necessariamente significam algo por si só.

O esforço era normal entre nós, mas a falta de uma figura central para organizar e nos guiar minou nossa empresa. Tentamos muitas coisas, até consultorias externas.

Chegou a um ponto que alguns saíram, inclusive o Daniel meu sócio de longa data. Fiquei com o Alexandre apenas, durante mais alguns anos, reduzimos de tamanho, até que por divergências decidi que ia seguir solo. Alexandre queria desenvolver produtos.

Abri então a Agência Internet. Comecei muito pequeno, tudo de novo, equipe reduzida, faturamento idem, mas fui indo crescendo cerca de 70% ao ano em média (se você fatura pouco fica fácil crescer nesse ritmo com algum esforço) e fui indo devagar. Com algumas dificuldades.

Paralelo à Agência participei de outra empresa, onde desenvolvíamos os assistentes virtuais numa época que ninguém falava disso. Tentamos muito, mas não tivemos fôlego para competir num mercado que nem existia.

Na Agência tive excelentes colaboradores, Renato, Maurício, Guilherme, Bruno (que virou meu sócio na Agência Internet e eu sócio dele na Targeteria posteriormente), André e Francis, que seguem comigo ainda hoje!

Uma parte interessante da história é que lá pelas tantas, eu ocupava uma casa antiga, mas espaçosa, ofereci uma sala para o amigo Julio da Dinamize, que estava num movimento de se transformar de uma agência digital para uma empresa de produtos. E cortar a equipe e os custos que eram desnecessários para o novo modelo.

E aí começou uma nova etapa, já ocupando a sala dentro da Agência Internet, prestávamos muitos serviços para a Dinamize, e lá por 2006 ele recebeu 2 novos sócios, Jonatas e Allan (lembram deles da Voyager?), e saiu então para sede própria e para o crescimento desde então. Em 2008 fizeram uma oferta pela Agência Internet e me juntei a eles!

Posteriormente ajudei o Bruno a abrir outra agência, a Targeteria, junto com a Livia, depois com Juliano e o Wagner. Desta vez eu não participava diretamente da operação, auxiliava nos aspectos comerciais e captação de novos clientes. Mas eles seguiram um bom tempo juntos e produzindo excelentes trabalhos.

E então

Tudo pelo dinheiro? Não, tem a equipe, tem condições melhores, tem diversos fatores que você precisa pesar quando surge uma oportunidade.

Eu estava preparado para quase todos eles, mas não fazia ideia do que iria me causar quando comecei a visitar os clientes e explicar que teria que deixar de atendê-los, a maioria dos clientes eu tinha mais de 10, 15 anos de relacionamento. Isso foi quando a Agência foi adquirida pela Dinamize.

Foi realmente muito difícil, eu não estava preparado para isso. Não sabia que perder clientes causava sofrimento físico.

Observem que escrevi tudo isso acima para ilustrar a minha jornada, como fiz para adquirir mais conhecimentos, conhecer melhor os mercados onde queria empreender.

As pessoas mudam e as empresas também, não tem nada de errado nisso. Apenas as vezes não acertamos tanto quanto gostaríamos, mas precisamos seguir tentando. Importante é tentarmos aprender com os erros dos outros e com os nossos para acertar mais.

Quando for arranjar um sócio, ou dois, ou seis, tenha em mente definir os papéis funcionais de cada um na empresa ANTES de fazer alguma coisa. Se você é programador e seu sócio também é programador, quem vai fazer o comercial da empresa?

Pense MUITO a respeito disso.

Resolvi contar tudo de maneira resumida apenas para você que está empreendendo agora, que talvez até esteja sozinho no início da jornada, que as coisas mudam o tempo todo, você muda, coisas acontecem, coisas que você pode controlar e outras que não pode.

Tem até um provérbio que diz: “Se quer ir mais rápido, vá sozinho. Se quer ir mais longe, vá em grupo”. Eu acredito fortemente na associação com pessoas do bem e dos mesmos interesses.

Não tenha medo, mas planeje antes de abrir a empresa como alguém entra e também como alguém sai da sociedade. Acredite, vai poupar muita dor de cabeça.

Vamos aos fatos, em linhas gerais você chegou aqui basicamente porque identificou alguns destes pontos, ou todos eles:

  • Você resolver empreender e precisa saber mais sobre isso;
  • É difícil conseguir novos clientes;
  • É complexo prospectar clientes e depois detalhar o que precisa ser feito;
  • O cliente não fornece nenhuma informação mas quer uma proposta para ontem;
  • Será que estou atendendo da melhor maneira?
  • Preciso de receitas recorrentes, mas não tenho produtos;
  • Como me diferenciar da concorrência?
  • Como em manter atualizado?
  • Estou fazendo tudo o que é possível?

A maior parte destes pontos acima serão abordados aqui de diversas formas. Esteja sempre atento a tudo isso mas siga o seu plano. Seu plano tem que estar escrito de fato em algum lugar, senão não é um plano!

E depois que o plano for elaborado, precisa ser lido, o tempo todo. E atualizado. Então não o escreva numa pedra ou numa chapa de metal. Utilize meios mais fáceis de editar e realinhar o que for preciso.

Simplificando

Como estive envolvido na gestão de três agências digitais no período, além de outras empresas. E nesse tempo todo descobri algumas coisas interessantes, que venho compartilhar com você agora.

  • Problemas não são exclusivos: a maior parte das agências digitais (e dos profissionais da área) padecem dos mesmos problemas, captação de clientes, como mostrar seus diferenciais, como manter o cliente ativo (e pagando todo mês), como não ser abusado e nem abusar da relação comercial, como manter o negócio funcionando, fazer os trabalhos e ainda captar novos clientes, fazer tudo e ainda ter que gerar conteúdo para blog, mídias sociais, e-mail marketing, e o maior de todos, entregar todo seu conhecimento e ideias a cada vez que uma proposta comercial é enviada, sem garantia nenhuma que ela não será entregue a outro para fazer o que você planejou por um valor mais baixo.
  • As vezes para enxergar melhor é preciso se afastar: Ficamos tanto tempo dentro do negócio que as coisas funcionam no automático. As vezes a melhor alternativa é sair da rotina, se afastar por um pequeno período e poder avaliar a situação de outro ângulo. O que vai lhe dar melhor ideia da situação e como contornar os desafios diários de quem empreende.
  • Você normalmente é melhor que seus concorrentes: Sim, é isso mesmo, faz mais em menos tempo, produz mais, tem melhores materiais, mais conhecimento, presta mais atenção ao negócio do cliente e ao mercado que ele atua do que sua concorrência. Não menospreze seu poder, ninguém pode dizer onde você vai chegar além de você! Eu sempre pesquisei a concorrência. Mas isso tudo não significa que a concorrência não esteja faturando mais mesmo fazendo algo de qualidade inferior. Então vamos mudar isso.

Vou abordar aqui os assuntos abaixo

  • Tipos de clientes
  • Como é a sua empresa?
  • Prospecção e briefing
  • Proposta comercial
  • Colocando a mão na massa
  • Atendimento e suporte técnico
  • Receitas recorrentes
  • Produtos e serviços de terceiros
  • Se diferenciando da concorrência
  • Evolução constante

Se eu conseguir pelo menos criar alguma reflexão, um insight, e auxiliar você de alguma forma já terá valido a pena!

Peço que você leia com atenção e ao final entre em contato, me envie sua opinião ou crítica, e me diga se a leitura auxiliou você e se tem alguma coisa que gostaria de ver de maneira mais aprofundada.

Eu sou bem acessível e um nerd muito conectado.

Se tudo der certo nos veremos em seguida, também fora daqui!

Vídeo: Introdução

Assista ao vídeo, ele contém informações adicionais.


Módulos do curso

  • Introdução: Você está começando, seus problemas não são exclusivos, a percepção que criam de você e do seu negócio.
  • Posicionamento: Quem você é e como se posiciona para o mercado.
  • Tipos de clientes: Tipos de clientes que você vai encontrar, que você vai atender e como atender adequadamente.
  • Leads, briefing, propostas e contratos: Como organizar melhor o ciclo de vendas, tipos de propostas, sugestão de propostas, contratos e ferramentas úteis para lhe auxiliar neste processo.
  • Produzindo e entregando: Como fazer, entregar e garantir que tudo esteja de acordo. Encante o cliente. Ainda, ferramentas para apoiar este processo.
  • Atendimento e suporte técnico: Organize suas demandas, controle as demandas dos seus clientes, atenda bem e os deixe sempre felizes.
  • Receitas recorrentes: Como manter o fluxo do faturamento sem ter que correr atrás todo o mês. Exemplos práticos e fáceis de implementar.
  • Evolução constante: Como se manter atualizado, conectado e sempre evoluir.
  • Finalizando: E agora? Como seguir adiante?

Gustavo Tagliassuchi

Velha ave de rapina, estudioso da web e seus desdobramentos, nerd, micreiro, pai dedicado de três filhos (um é peludo), marido esporádico, empreendedor, especialista em desenvolvimento de software para web, pesquisador, escritor, professor, marketeiro digital, blogueiro, apreciador de cervejas artesanais, profundo admirador do WordPress, ouvinte das músicas dos anos 80, sobrevivente do colesterol alto e corredor muito muito amador.

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