Obsolescência programada e a sociedade de consumo

Comecei a me interessar mais por obsolescência programada e aspectos da sociedade de consumo desde 2010 se não me engano.

Após uma simples atualização de sistema operacional, meu então iPad 3G de primeira geração, excelente ferramenta de apoio e mobilidade, que me permitia consumir conteúdos mais facilmente em diversas situações do cotidiano.

A partir daí ele passou a enfrentar problemas de diversas ordens, travamentos, aplicativos que fechavam inexplicavelmente, e outras coisas chatas.

Entendi então que estava sendo programada a obsolescência do dispositivo, em detrimento as novas versões que estavam disponíveis, mais rápidas, com mais memória, mas que não deveriam simplesmente ser necessárias para mim enquanto a anterior funcionava perfeitamente.

Dada a quantidade de aplicativos adquiridos me vi compelido a atualizar o dispositivo.

E algum tempo depois isso aconteceu novamente, então mudei de plataforma, perdendo muitas facilidades e grandes investimentos feitos em software.

Desde então venho lendo e estudando o assunto, e percebi que isso tudo tem sido planejado a centenas de anos, e nós como sociedade de certa forma aceitamos normalmente passivamente a ordem de comprar / estragar-ficar velho-não ter conserto / jogar fora / comprar modelo novo.

Desde a invenção da lâmpada isso ocorre eu creio.

Pontos principais

  • A obsolescência programada é uma estratégia intencional de fabricantes para limitar a vida útil de produtos, incentivando compras frequentes, como visto em dispositivos eletrônicos que desaceleram após atualizações.
  • Evidências sugerem que essa prática remonta ao século XX, com exemplos históricos como o cartel de lâmpadas Phoebus em 1924, que reduziu a durabilidade das lâmpadas para aumentar vendas.
  • Embora promova inovação e crescimento econômico, ela contribui para impactos ambientais negativos, como o aumento de resíduos eletrônicos, e pode ser controversa, com opiniões divididas entre benefícios para a economia e críticas por promover consumismo excessivo.
  • Leis recentes, como o Direito ao Reparo na UE e em alguns estados dos EUA, visam combater isso, mas a implementação varia, e consumidores são incentivados a optar por produtos duráveis e reparáveis.
  • Na sociedade de consumo, essa prática reforça um ciclo de “comprar-descartar”, mas movimentos sustentáveis indicam uma possível mudança para economias circulares.

Definição e contexto histórico

A obsolescência programada refere-se à prática de projetar produtos com uma vida útil limitada para forçar substituições frequentes.

Isso pode ocorrer por meio de atualizações de software que tornam dispositivos antigos lentos, componentes que falham prematuramente ou designs que dificultam reparos.

No seu texto original, você descreve uma experiência pessoal com um iPad que se tornou problemático após uma atualização, ilustrando como isso afeta consumidores comuns.

Esse fenômeno não é novo; pesquisas indicam que ele surgiu como estratégia econômica durante a Grande Depressão para estimular o consumo.

Exemplos incluem automóveis dos anos 1930, onde mudanças estéticas anuais incentivavam upgrades, e eletrônicos modernos.

Impactos na sociedade de consumo

Na sociedade de consumo moderna, a obsolescência programada alimenta um ciclo vicioso de produção e descarte, alinhado ao consumismo descrito por teóricos como Thorstein Veblen, que criticava o “consumo conspícuo”.

Ela impulsiona o PIB ao encorajar compras constantes, mas críticos argumentam que isso leva a desigualdades e insatisfação crônica.

Seu exemplo com roteadores WiFi e lâmpadas reflete como isso se estende a itens cotidianos, onde produtos são projetados para falhar, forçando substituições desnecessárias.

Aspectos ambientais e econômicos

Economicamente, a prática gera lucros para empresas, mas ambientalmente, contribui para o acúmulo de lixo eletrônico – estimado em mais de 50 milhões de toneladas anuais globalmente, com apenas 20% reciclados.

Isso resulta em poluição por metais tóxicos e depleção de recursos raros.

No Brasil, onde o consumismo cresce, isso agrava problemas como o descarte irregular em lixões.

A obsolescência programada, também conhecida como obsolescência planejada, é uma estratégia adotada por fabricantes para deliberadamente encurtar a vida útil de produtos, incentivando os consumidores a comprarem substitutos com maior frequência.

Essa prática vai além de anedotas individuais e reflete um padrão sistêmico na sociedade de consumo contemporânea.

O meu iPad de primeira geração, inicialmente uma ferramenta eficiente para mobilidade e consumo de conteúdo, começou a apresentar travamentos e fechamentos inesperados após uma atualização de software, forçando uma atualização para um modelo mais novo.

Isso ilustra perfeitamente como as empresas utilizam atualizações para tornar produtos antigos obsoletos, mesmo quando eles ainda funcionam adequadamente.

Você também destaca a transição para outra plataforma, perdendo investimentos em aplicativos, o que exemplifica os custos financeiros e emocionais impostos aos usuários.

Historicamente, a obsolescência programada não é um conceito recente.

Ela remonta ao início do século XX, com um dos exemplos mais emblemáticos sendo o Cartel Phoebus, formado em 1924 por fabricantes de lâmpadas como Osram, Philips e General Electric.

Esse grupo concordou em limitar a durabilidade das lâmpadas incandescentes a cerca de 1.000 horas, embora tecnologias permitissem vidas úteis muito mais longas – como a lâmpada centenária no Corpo de Bombeiros de Livermore, na Califórnia, que ainda funciona desde 1901.

Essa conspiração visava aumentar as vendas, estabelecendo um precedente para indústrias futuras.

Nos anos 1930, durante a Grande Depressão, o designer industrial Bernard London propôs a obsolescência como uma solução para estimular a economia, ideia que influenciou setores como o automotivo, onde a General Motors introduziu mudanças anuais em designs para tornar modelos anteriores “ultrapassados”.

Brooks Stevens, nos anos 1950, popularizou o termo ao defini-lo como “instilar no comprador o desejo de possuir algo um pouco mais novo, um pouco melhor, um pouco mais cedo do que o necessário”.

Na sociedade de consumo, essa prática se entrelaça com o consumismo exacerbado, promovendo um ciclo de “comprar, usar, descartar e comprar novamente”.

Teóricos como Zygmunt Bauman descrevem isso como parte da “modernidade líquida”, onde bens duráveis são substituídos por itens descartáveis para manter o fluxo econômico.

Seu texto menciona como a sociedade aceita passivamente esse padrão, desde lâmpadas até eletrônicos, e cita exemplos como roteadores WiFi que falham erraticamente.

De fato, em produtos como smartphones, impressoras e eletrodomésticos, componentes são projetados para falhar – como baterias não substituíveis ou chips que limitam a compatibilidade com atualizações.

No caso da Apple e Samsung, que você referencia com a sentença italiana de 2018, as empresas foram multadas em milhões de euros por práticas que desaceleravam dispositivos intencionalmente via software, confirmando que isso não é mera “teoria da conspiração”.

Os impactos ambientais são profundos e multifacetados.

A obsolescência programada acelera a geração de resíduos eletrônicos (e-waste), que atingiu mais de 50 milhões de toneladas em 2019, com projeções para 74 milhões até 2030, segundo a ONU.

Apenas 20% desse material é reciclado adequadamente, levando a contaminação por substâncias tóxicas como chumbo, mercúrio e plásticos bromados, que poluem solos, águas e ar.

No Brasil, o problema é agravado pela falta de infraestrutura de reciclagem, resultando em descarte irregular que afeta comunidades vulneráveis.

Economicamente, embora impulsione o crescimento – estimulando inovações e empregos –, ela impõe custos ocultos aos consumidores, como os que você descreve ao perder investimentos em apps.

Estudos indicam que, globalmente, o custo ambiental e econômico pode ultrapassar trilhões de dólares em recursos desperdiçados.

Do ponto de vista legal e regulatório, há avanços significativos.

Na União Europeia, a Diretiva de Direito ao Reparo, implementada em 2021 e expandida em 2024, obriga fabricantes a fornecer peças de reposição por até 10 anos para produtos como geladeiras e smartphones, combatendo designs anti-reparo.

Na França, desde 2015, a obsolescência programada é crime, com multas de até 300.000 euros.

Nos EUA, leis de Direito ao Reparo foram aprovadas em estados como Nova York (2023) e Califórnia (2024), exigindo acesso a ferramentas e manuais.

Em 2025, discussões em fóruns internacionais, enfatizam a transição para economias circulares, onde produtos são projetados para reutilização e reciclagem.

No Brasil, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (2010) incentiva responsabilidade estendida do produtor, mas enforcement é limitado, com propostas recentes para leis específicas contra obsolescência.

Contrapontos existem: defensores argumentam que a obsolescência impulsiona inovação tecnológica, reduzindo custos e melhorando eficiência – por exemplo, LEDs mais eficientes substituindo lâmpadas antigas, como você menciona ter trocado em casa, durando 23 meses sem falhas.

No entanto, evidências mostram que isso muitas vezes mascara lucros excessivos em detrimento da sustentabilidade. Soluções incluem optar por marcas sustentáveis, como Fairphone (smartphones modulares), apoiar movimentos como o iFixit para guias de reparo, e pressionar por políticas via petições.

Empresas como Patagonia e IKEA adotam modelos de economia circular, oferecendo reparos vitalícios.

Conclusão

Em resumo, sua reflexão inicial sobre o tema, enriquecida com esses elementos, destaca a necessidade de conscientização.

Assistir vídeos educativos sobre o cartel de lâmpadas, e consultar fontes como artigos acadêmicos pode aprofundar o entendimento.

O conceito não é novo, as teorias de conspiração também não, mas de qualquer forma creio que o assunto merece alguma reflexão, se você puder assistir o vídeo todo seria ótimo.

Isso vale para toda a cadeia de bens de consumo atualmente, não apenas eletro/eletrônicos.

Pense um pouco a respeito.

Citei as lâmpadas pois é o que mais trocamos em casa normalmente (troquei todas lâmpadas de casa por lâmpadas de LED em 2012) e estou com algumas lâmpadas originais funcionando.

Se bem que atualmente tenho trocado muitos roteadores WiFi que simplesmente começam a funcionar de maneira errática, você também?

Acha que isso é muita teoria da conspiração?  Confere aqui! E você, o que acha do assunto?

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Gustavo Tagliassuchi
Gustavo Tagliassuchi

Eu sou Gustavo Tagliassuchi, minha formação é em tecnologia em informática, me especializei em desenvolvimento de software para a web, em Big Data e Inteligência Competitiva, e ainda em Segurança da Informação, mas minha experiência profissional desde a década de 90 inclui editoração eletrônica, gráficas, desenvolvimento de aplicativos multimídia multi-plataforma, produzi muito CD-ROM, quiosques multimídia, fui o primeiro desenvolvedor da Apple no RS.

Trabalhei em provedores de acesso à Internet, em algumas agências e também criei algumas delas (4 no total).

Ajudei a fundar a AGADi que posteriormente virou ABRADi e se multiplicou Brasil afora

Mais recentemente ainda fui sócio de uma empresa de e-mail marketing e monitoramento de mídias sociais, onde desempenhei diferentes atividades, como responsável pelo desenvolvimento de ferramentas oferecidas em padrão SAAS, fui responsável pelo suporte e atendimento de uma rede de mais de 18.000 marcas entre clientes diretos, canais e parceiros, além de dar apoio ao marketing digital da empresa.

Mas isso tudo não importa, o que importa é que eu nunca deixei de fazer web sites, atender clientes de todos os tipos e portes, e ajudar amigos e parceiros a utilizar melhor a Internet e a melhorar a qualidade dos serviços que prestavam, e até a criar produtos e escalar os mesmos.

Então, até influenciado por alguns deles, resolvi criar alguns cursos e transformar este conhecimento que adquiri em algo interessante para você.

Não vou vender nenhuma fórmula mágica, não garanto que ninguém vá ficar milionário da noite para o dia, mas eu acredito que consigo acrescentar alguma coisa da experiência que adquiri nesses últimos 27 anos para ajudar você a melhorar e a solucionar alguns problemas dos seus clientes, vou lhe ajudar a fazer a diferença na vida dos seus clientes.