A escada da dopamina

O framework da Escada de Dopamina é apresentado como uma tática essencial para criar conteúdo que vicia o público e permite ao criador se tornar um mestre da atenção.

Este modelo baseia-se na compreensão da psicologia de como a atenção funciona e o que realmente acontece no cérebro do espectador ao assistir a um vídeo.

A jornada do espectador é composta por seis estágios que, se percorridos consistentemente, liberam quantidades crescentes de dopamina, resultando no desejo do espectador de retornar para assistir a mais.

O objetivo final de utilizar a escada de dopamina de forma consistente é criar um efeito Pavloviano.

O efeito Pavloviano ocorre quando o espectador associa o criador a uma recompensa de dopamina, de modo que apenas ver o nome ou o rosto do criador, sem sequer assistir ao conteúdo, já provoca uma liberação de dopamina.

Alcançar esse ponto significa criar um “super fã” e atingir o status de rei no reino da atenção.

Os seis níveis da escada de dopamina

A escada de dopamina é composta por seis níveis distintos, projetados para prender o espectador do início ao fim do vídeo, liberando dopamina em cada ascensão.

Nível 1: Estimulação

  • O que é: O primeiro degrau e o mesmo para todo conteúdo visual (curto ou longo). É o que acontece nos primeiros um a dois segundos do vídeo, funcionando como um “hack” visual para fazer o espectador parar e se concentrar.
  • Liberação de dopamina: A dopamina vem de cores, movimento e brilho que são captados pelo olho, especialmente quando mostram uma combinação de elementos visuais diferente do que o espectador vê tipicamente.
  • Tática: É necessário contraste, cor e movimento suficientes para atordoar visualmente o espectador. Se todos copiarem o mesmo padrão, o espectador ficará dessensibilizado, tornando crucial a criação de visuais e paletas de cores únicas.
  • Importância: Embora seja a liberação de dopamina mais fraca e curta, é um precursor vital; sem ela, o foco não é acionado e os demais níveis não importam. O processamento inicial é rápido e subconsciente, chamado processamento bottom up, ocorrendo em cerca de 200 milissegundos.

Nível 2: Cativação

  • O que é: O estágio da curiosidade, onde a compreensão do que é dito e como é dito começa a importar. O cérebro libera quantidades massivas de dopamina quando o espectador é cativado por uma pergunta aberta que ele faz em sua própria mente, criando um laço de curiosidade.
  • Psicologia: O laço de curiosidade funciona porque o cérebro humano é uma máquina de resolução de problemas. Quanto maior, mais não óbvia e mais relevante a pergunta for para o espectador, maior será a curiosidade e a liberação de dopamina.
  • Tática: O vídeo deve implantar uma pergunta muito interessante o mais rápido possível. Se o gancho falhar (a pergunta não for relevante ou interessante), o espectador desiste. Para aumentar a curiosidade, use contraste (comparar conhecido a desconhecido) ou apresente uma premissa chocante/estranha.

Nível 3: Antecipação

  • O que é: O estágio em que o espectador começa a adivinhar em sua cabeça qual pode ser a resposta para a pergunta criada no Nível 2. É um “romance de mistério” se desenrolando em tempo real.
  • Liberação de Dopamina: O nível mais alto de dopamina é alcançado logo antes da resposta chegar.
  • Tática: Dê detalhes que ajudem o espectador a antecipar a resposta, aumentando a curiosidade. Para resetar ou estender o laço de curiosidade, você pode entregar a resposta e imediatamente fazer uma segunda pergunta, ou, taticamente, “puxar a resposta e fazer um falso movimento”. O espectador só consegue antecipar se os fatos fornecidos forem claros.

Nível 4: Validação

  • O que é: É o momento de dar a resposta e, essencialmente, fechar o laço criado nos níveis anteriores.
  • Recompensa: A validação deve ser uma recompensa ou resposta que seja não óbvia e inesperada. No conteúdo de entretenimento, é a resolução da história; no conteúdo educacional, é o compartilhamento da dica ou recomendação que fornece valor concreto para resolver um problema.
  • Consequência: Se o laço não for fechado, o espectador ficará insatisfeito e a dopamina final não será liberada.

Nível 5: Afeto

  • O que é: Este nível e o Nível 6 transcendem o vídeo (a “mensagem”) e focam no criador/personalidade (o “mensageiro”). É o estágio onde o espectador começa a gostar e confiar em quem está entregando a história.
  • Impacto: Se o espectador gostar do criador, ele dará uma “coleira” mais longa (mais tempo de atenção), liberando mais dopamina só por reconhecer o criador. Conteúdo sem rosto tem dificuldade em atingir o pico Pavloviano total, pois não há personalidade para atribuir afeto e confiança.
  • Quatro formas de melhorar a “gostabilidade”:
    • Atratividade: Um fator maciço e subconsciente.
    • Vibe geral: A maneira como o criador se veste, se comporta e sua postura.
    • Sorrir: A alegria e a paixão transferem-se pela câmera.
    • Resolver um problema: Para conteúdo educacional, resolver um problema de forma eficaz é a maneira mais forte de transferir máxima confiança e “gostabilidade”.

Nível 6: Revelação

  • O que é: O nível final, onde o espectador percebe que o criador será uma fonte contínua de valor ao longo do tempo. É aqui que a resposta Pavloviana realmente se consolida.
  • Conteúdo educacional vs. entretenimento: É muito mais fácil para o conteúdo educacional ascender do Nível 5 ao Nível 6, pois o criador pode ser associado à resolução consistente de problemas. O conteúdo de entretenimento só atinge este nível se o criador for uma fonte consistente de entretenimento máximo (um padrão muito difícil).
  • Alcançando o nível 6: Para o conteúdo educacional, a chave é entregar valor não óbvio e diferenciado repetidamente, treinando o espectador para associar que “você é igual a valor“. Atingir este estado significa vencer o jogo da atenção, pois a visão do criador resulta em um pico de dopamina que leva o espectador a assistir ao conteúdo.

Conclusão

A Escada de Dopamina oferece um framework de seis níveis para manipular a neuroquímica do espectador, garantindo que ele consuma o conteúdo inteiro e retorne.

O objetivo é usar esses níveis como um ponto de verificação ou checklist para ascendê-los através dos ciclos necessários de liberação de dopamina.

Ao analisar qualquer conteúdo educacional que tenha funcionado com você através desses seis níveis — Estimulação, Cativação, Antecipação, Validação, Afeto e Revelação — a lógica por trás de sua eficácia se torna clara.

Aplicar essa engenharia reversa no próprio conteúdo é a chave para o sucesso na criação de conteúdo viciante.

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Gustavo Tagliassuchi
Gustavo Tagliassuchi

Eu sou Gustavo Tagliassuchi, minha formação é em tecnologia em informática, me especializei em desenvolvimento de software para a web, em Big Data e Inteligência Competitiva, e ainda em Segurança da Informação, mas minha experiência profissional desde a década de 90 inclui editoração eletrônica, gráficas, desenvolvimento de aplicativos multimídia multi-plataforma, produzi muito CD-ROM, quiosques multimídia, fui o primeiro desenvolvedor da Apple no RS.

Trabalhei em provedores de acesso à Internet, em algumas agências e também criei algumas delas (4 no total).

Ajudei a fundar a AGADi que posteriormente virou ABRADi e se multiplicou Brasil afora

Mais recentemente ainda fui sócio de uma empresa de e-mail marketing e monitoramento de mídias sociais, onde desempenhei diferentes atividades, como responsável pelo desenvolvimento de ferramentas oferecidas em padrão SAAS, fui responsável pelo suporte e atendimento de uma rede de mais de 18.000 marcas entre clientes diretos, canais e parceiros, além de dar apoio ao marketing digital da empresa.

Mas isso tudo não importa, o que importa é que eu nunca deixei de fazer web sites, atender clientes de todos os tipos e portes, e ajudar amigos e parceiros a utilizar melhor a Internet e a melhorar a qualidade dos serviços que prestavam, e até a criar produtos e escalar os mesmos.

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