Escolhendo um sócio

Sempre vejo pessoas convergindo e divergindo na hora de falar sobre um dos principais motivos das falhas das empresas: escolhendo um sócio.

Posso começar sozinho?

Pode, claro. Hoje já existem personalidades jurídicas que permitem a você começar sozinho, sem sócios. Na verdade até sem contador!

E tem um ditado africano se não me engano, que diz: Se quiser ir mais rápido, vá sozinho. Se quiser ir mais longe, vá em grupo.

Ele me serviu sempre, nas empresas que já tive, e nas corridas que corri.

As vezes funciona, as vezes não

Eu nem sempre tive sorte com meus sócios, aprendi em casa que primeiro confiamos, depois vemos o que acontece.

Meu avô, João Jacob Tagliassuchi, empreendedor, me dizia desde que eu era muito pequeno: se tu quiser conhecer uma pessoa, precisa fazer negócios com ela.

E eu confesso sem medo que demorei mais de 15 anos para entender o que ele quis dizer.

Não vou ficar lamentando e remoendo erros do passado, mas é sempre bom tomar alguns cuidados quando for se associar a alguém.

Não culpe o seu sócio pelo fracasso do negócio

Vejo também muitos empreendedores colocando o dedo e apontando para o sócio como o causador dos problemas que o negócio teve no tempo que durou.

Nem sempre isso é verdade, todos tem sua parcela de culpa, seja por excesso de zelo ou por omissão.

O fato é que as vezes simplesmente não dá certo o negócio, nem precisa ter um culpado direto na operação.

Pode ser o “time to market”, o mercado, a variação do câmbio, uma greve de serviços públicos, são infinitas as causas de problemas.

Se eu teria mais sócios e abriria outros negócios

Sim, definitivamente, não consigo me ver sem fazer alguma coisa que não envolva outras pessoas, principalmente pessoas melhores do que eu!

É isso, sempre vou acreditar que vamos vencer, não tenho outra linha de pensamento.

E é para isso que você também deve trabalhar, focado no sucesso do empreendimento.

Zé, vamos abrir uma empresa?

Quando comecei a estudar Informática em 1991, já tinha tido dois negócios. E com alguma frequência via dois colegas, ambos excelentes programadores, comentarem o seguinte:

Nós vamos abrir uma “software house”, era o termo utilizado na época na época. Vamos vender nossos serviços de programação para as empresas.

E eu – confesso que parece maldade – largava a frase: legal, dois programadores, muito bom. Quem vai ser o comercial?

E normalmente eles se olhavam, arrumavam os óculos, engoliam em seco, e quase que imediatamente: eu não, eu vou programar dizia um, o outro emendava eu também não, gosto mais de programar.

E assim não passava daquela semana na maioria dos casos o projeto da nova software house.

Não, eu não era um destruidor de sonhos, só lembrava de como era difícil comercializar um produto ou serviço quando todos na empresa eram técnicos e não tinham tais habilidades.

Sugestões para identificar um bom sócio

Não sou eu negativo aqui, mas Noam Wasserman estudou cerca de 10.000 startups, para a pesquisa do seu livro: The founder´s dilemmas, e descobriu que 65% delas falhavam sempre pelo mesmo motivo, o conflito entre os sócios.

Então faça o seu tema de casa. Não é porque o cara é seu melhor amigo desde a infância que será um bom sócio!

As pessoas tem maridos, esposas, pais, mães, familiares, e todos tem uma opinião para dar, e essas influências podem afetar as pessoas em diferentes níveis, isso é um fato importante.

Pense em problemas, pense em soluções, pense em como agiria em algumas situações, faça as perguntas para você e para seus futuros sócios.

  • Como você se imagina em 5 anos? E em 10?
  • Qual os piores conflitos interpessoais que já gerenciou, e como?
  • O que você acha deste produto / serviço?
  • Qual função você acha que poderia desempenhar e porque?
  • Quanto você precisaria ganhar da empresa mensalmente para ficar numa situação boa / situação confortável / situação de muito sucesso?
  • Qual sua motivação pessoal?
  • Qual sua motivação profissional?
  • Se tiver que sair da empresa como seria?
  • Se precisarmos de investidores, o que você acha disso?
  • Precisamos crescer e contratar pessoas, como você acha que devemos fazer isso?
  • Se você estiver sentindo algo de errado com a empresa vai me falar diretamente e sem rodeios?
  • Se estiver feliz e satisfeito e o contrário, seguiremos amigos?

Existem centenas de perguntas a serem feitas.

Talvez uma pessoa que ganhe dois salários mínimos ficasse muito feliz e satisfeita recebendo R$ 5.000,00 mensais, o que poderia ser um problema se você quer dar vôos mais altos.

Já tive sócios que pensavam desta maneira, estabilizando num patamar deixavam de desempenhar com afinco suas atribuições achando que a vida estava ganha.

E empresa não pode ficar parada, é o primeiro passo para os problemas. Precisamos nos manter em crescimento permanente, monitoramento permanente do nosso mercado de atuação e oportunidades, e o principal, se tiver uma equipe, precisa manter ela da melhor maneira.

Os funcionários satisfeitos agem como empreendedores e sócios da empresa, pense nisso!

E é claro que essa discussão não se encerra aqui, só quis instigar. Se quiser perguntar algo comente aí.

Imagem padrão
Gustavo Tagliassuchi
Eu sou Gustavo Tagliassuchi, minha formação é em tecnologia em informática, me especializei em desenvolvimento de software para a web, mas minha experiência profissional desde a década de 90 inclui editoração eletrônica, gráficas, desenvolvimento de aplicativos multimídia multi-plataforma, produzi muito CD-ROM, quiosques multimídia, fui o primeiro desenvolvedor da Apple no RS. Trabalhei em provedores de acesso à Internet, em algumas agências e também criei algumas delas (4 no total). Ajudei a fundar a AGADi que posteriormente virou ABRADi e se multiplicou Brasil afora Mais recentemente ainda fui sócio de uma empresa de e-mail marketing e monitoramento de mídias sociais, onde desempenhei diferentes atividades, como responsável pelo desenvolvimento de ferramentas oferecidas em padrão SAAS, fui responsável pelo suporte e atendimento de uma rede de mais de 18.000 marcas entre clientes diretos, canais e parceiros, além de dar apoio ao marketing digital da empresa. Mas isso tudo não importa, o que importa é que eu nunca deixei de fazer web sites, atender clientes de todos os tipos e portes, e ajudar amigos e parceiros a utilizar melhor a Internet e a melhorar a qualidade dos serviços que prestavam, e até a criar produtos e escalar os mesmos. Então, até influenciado por alguns deles, resolvi criar alguns cursos e transformar este conhecimento que adquiri em algo interessante para você. Não vou vender nenhuma fórmula mágica, não garanto que ninguém vá ficar milionário da noite para o dia, mas eu acredito que consigo acrescentar alguma coisa da experiência que adquiri nesses últimos 26 anos para ajudar você a melhorar e a solucionar alguns problemas dos seus clientes, vou lhe ajudar a fazer a diferença na vida dos seus clientes.

Deixar uma resposta