EP 047 – Conteúdo para plataformas emergentes

O cenário digital está em constante transformação, e as plataformas emergentes têm desempenhado um papel crucial nessa evolução.

Desde redes sociais inovadoras até tecnologias imersivas como realidade aumentada (AR), realidade virtual (VR) e inteligência artificial (IA), o consumo de conteúdo está se diversificando rapidamente.

Para criadores, marcas e empresas, adaptar-se a essas plataformas não é apenas uma questão de sobrevivência, mas uma oportunidade de se destacar em um mercado saturado.

Neste texto, exploraremos as possibilidades de criação de conteúdo para plataformas emergentes, os desafios envolvidos e estratégias práticas para uma adaptação bem-sucedida, mergulhando em exemplos reais, tendências atuais e projeções futuras.

O que são plataformas emergentes?

Antes de detalhar as estratégias de adaptação, é essencial definir o que caracteriza uma plataforma emergente.

Essas são tecnologias ou espaços digitais que estão em fase de ascensão, ainda não totalmente consolidados no mainstream, mas que mostram potencial disruptivo.

Exemplos incluem o metaverso (como Horizon Worlds ou Decentraland), plataformas de áudio ao vivo (como Clubhouse em seu auge), redes sociais baseadas em vídeo curto (como TikTok antes de sua explosão global) e até mesmo tecnologias de blockchain que suportam NFTs e experiências digitais únicas.

O que essas plataformas têm em comum é a capacidade de redefinir como as pessoas interagem, consomem informação e se engajam com marcas.

Elas frequentemente surgem com novas affordances — ou seja, possibilidades de uso que não existiam em plataformas anteriores — exigindo que os criadores de conteúdo repensem formatos, narrativas e abordagens.

Por que a adaptação é essencial?

A velocidade com que as plataformas emergentes ganham tração pode ser impressionante.

O TikTok, por exemplo, passou de um aplicativo de nicho para uma força cultural global em menos de cinco anos, revolucionando o marketing digital e o consumo de vídeo.

Da mesma forma, o surgimento do metaverso, impulsionado por empresas como Meta e Epic Games, está criando um novo ecossistema onde experiências imersivas substituem os formatos tradicionais de conteúdo.

Não se adaptar a essas mudanças significa ficar para trás. Marcas que ignoraram o Instagram nos anos 2010 ou o TikTok em 2020 perderam oportunidades valiosas de conexão com públicos jovens e engajados.

Além disso, plataformas emergentes frequentemente oferecem um “terreno virgem” — menos competição e custos iniciais mais baixos para anúncios ou parcerias, o que pode ser uma vantagem estratégica para quem entra cedo.

Possibilidades de conteúdo em plataformas emergentes

A adaptação bem-sucedida depende de entender as características únicas de cada plataforma e explorar suas possibilidades criativas. Vamos detalhar algumas das principais categorias de plataformas emergentes e como o conteúdo pode ser moldado para elas.

1. Plataformas de vídeo curto e efêmero

Plataformas como TikTok, Instagram Reels e YouTube Shorts dominaram o consumo de mídia nos últimos anos, e a tendência de vídeos curtos parece longe de desacelerar.

O apelo está na rapidez: conteúdos de 15 a 60 segundos que capturam a atenção imediatamente.

Para se adaptar, criadores devem priorizar narrativas condensadas, ganchos visuais fortes e áudio impactante.

  • Estratégias: Use trends locais ou globais para aumentar a visibilidade, como desafios virais ou músicas populares. Por exemplo, uma marca de moda pode criar um vídeo de 30 segundos mostrando uma transformação de look ao som de uma música em alta, incentivando os usuários a replicarem o estilo.
  • Exemplo prático: A campanha “Renegade” no TikTok, iniciada por uma dança simples de uma adolescente, foi cooptada por marcas como a Coca-Cola, que criou versões patrocinadas com influenciadores, gerando milhões de visualizações.

2. Metaverso e experiências imersivas

O metaverso é uma das fronteiras mais promissoras para o conteúdo digital. Espaços como Decentraland ou Roblox permitem que usuários participem de eventos virtuais, comprem produtos digitais e interajam em ambientes 3D. Aqui, o conteúdo vai além do texto ou vídeo tradicional, tornando-se uma experiência interativa.

  • Estratégias: Desenvolva narrativas gamificadas ou eventos ao vivo no metaverso. Uma marca de carros, por exemplo, pode criar uma pista de corrida virtual onde os usuários testam modelos digitais antes de comprá-los no mundo real.
  • Exemplo prático: A Gucci lançou a “Gucci Garden” no Roblox, um espaço virtual onde os usuários podiam explorar coleções e comprar itens digitais exclusivos, conectando moda física e digital.

3. Plataformas de áudio e conversação

Embora o Clubhouse tenha perdido parte de seu brilho inicial, o interesse por conteúdo baseado em áudio persiste, com plataformas como Spotify Live e Twitter Spaces.

Essas ferramentas favorecem conversas autênticas e em tempo real, ideais para construir comunidades.

  • Estratégias: Hospede sessões de perguntas e respostas, debates ou entrevistas com especialistas. Uma empresa de tecnologia pode organizar uma sala semanal no Twitter Spaces para discutir inovações do setor, atraindo entusiastas e profissionais.
  • Exemplo prático: A TED usou o Clubhouse para promover palestras curtas com seus speakers, gerando engajamento direto com ouvintes globais.

4. Blockchain e NFTs

A integração de blockchain em plataformas emergentes abriu portas para conteúdos tokenizados, como NFTs (tokens não fungíveis).

Esses ativos digitais permitem que criadores monetizem obras únicas, desde arte a música e experiências.

  • Estratégias: Crie coleções limitadas de conteúdo digital que os fãs possam possuir. Um músico pode lançar um NFT de uma música inédita com acesso a um show virtual exclusivo.
  • Exemplo prático: O artista Beeple vendeu uma obra digital por US$ 69 milhões em um leilão da Christie’s, mostrando o potencial econômico dos NFTs para criadores.

5. Realidade aumentada (AR) e filtros interativos

Plataformas como Snapchat e Instagram popularizaram filtros de AR, mas a tecnologia está evoluindo para experiências mais robustas, como provadores virtuais de roupas ou maquiagem.

O conteúdo aqui é altamente visual e interativo.

  • Estratégias: Desenvolva filtros que promovam produtos ou engajem usuários de forma divertida. Uma marca de cosméticos pode criar um filtro que aplica diferentes tons de batom, incentivando compartilhamentos.
  • Exemplo prático: A IKEA usa AR em seu aplicativo para permitir que clientes visualizem móveis em suas casas antes da compra, integrando conteúdo funcional ao marketing.

Desafios da adaptação

Embora as possibilidades sejam vastas, adaptar-se a plataformas emergentes não é isento de obstáculos. Aqui estão os principais desafios e como enfrentá-los:

  1. Curva de aprendizado tecnológica: Muitas plataformas requerem habilidades específicas, como design 3D para o metaverso ou edição de vídeo rápida para o TikTok. Solução: invista em treinamento ou parcerias com especialistas.
  2. Falta de métricas claras: Plataformas novas frequentemente carecem de dados robustos sobre desempenho. Solução: experimente com pequenos testes e ajuste estratégias com base em feedback qualitativo.
  3. Saturação precoce: O que é novo hoje pode estar saturado amanhã. Solução: entre cedo e estabeleça uma identidade distinta antes que a concorrência aumente.
  4. Custo inicial: Tecnologias como AR ou blockchain podem ser caras. Solução: comece com projetos-piloto de baixo custo e escale conforme o retorno aparecer.

Estratégias práticas para se adaptar

Agora que exploramos as possibilidades e desafios, aqui estão estratégias práticas para criar conteúdo eficaz em plataformas emergentes:

  1. Conheça seu público: Antes de investir tempo ou recursos, pesquise onde sua audiência está migrando. Ferramentas como Google Trends ou análises de redes sociais podem indicar quais plataformas estão ganhando tração.
  2. Teste e itere: Lançar conteúdo experimental em pequena escala permite aprender sem riscos altos. Por exemplo, publique alguns vídeos no TikTok antes de investir em uma campanha completa.
  3. Colabore com nativos digitais: Influenciadores que já dominam a plataforma podem acelerar sua curva de aprendizado e ampliar seu alcance.
  4. Priorize autenticidade: Plataformas emergentes valorizam conexões genuínas. Evite abordagens excessivamente corporativas e foque em narrativas humanas.
  5. Acompanhe tendências: O que funciona hoje pode não funcionar amanhã. Esteja atento a mudanças culturais e tecnológicas para ajustar seu conteúdo.

O futuro do conteúdo em plataformas emergentes

Olhando para frente, podemos prever que a convergência de tecnologias será o próximo grande marco.

Imagine um futuro onde o metaverso integra vídeos curtos, filtros de AR e NFTs em uma única experiência: você entra em um evento virtual, assiste a um show em vídeo de 30 segundos, usa um filtro para personalizar seu avatar e compra um ingresso digital como NFT.

Esse nível de integração exigirá que os criadores sejam ainda mais ágeis e multifacetados.

Além disso, a inteligência artificial está moldando o futuro do conteúdo.

Ferramentas de IA, como geradores de texto ou vídeo, podem ajudar a produzir conteúdo em escala para plataformas emergentes, reduzindo barreiras de entrada.

No entanto, o toque humano — criatividade, emoção e storytelling — continuará sendo o diferencial.

Conclusão

Adaptar-se a plataformas emergentes é um exercício de equilíbrio entre inovação e pragmatismo.

As possibilidades são vastas: de vídeos curtos que viralizam em segundos a experiências imersivas que redefinem o engajamento, o futuro do conteúdo está nas mãos de quem ousa explorar o desconhecido.

Os desafios existem, mas com uma abordagem estratégica — conhecer o público, experimentar sem medo, colaborar com especialistas e manter a autenticidade — é possível não apenas sobreviver, mas prosperar nesse novo cenário digital.

À medida que as plataformas continuam a surgir e evoluir, a pergunta não é se você deve se adaptar, mas como você pode liderar essa transformação.

https://creators.spotify.com/pod/show/fiapo/episodes/Contedo-para-plataformas-emergentes-e317710
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Gustavo Tagliassuchi
Gustavo Tagliassuchi

Eu sou Gustavo Tagliassuchi, minha formação é em tecnologia em informática, me especializei em desenvolvimento de software para a web, em Big Data e Inteligência Competitiva, e ainda em Segurança da Informação, mas minha experiência profissional desde a década de 90 inclui editoração eletrônica, gráficas, desenvolvimento de aplicativos multimídia multi-plataforma, produzi muito CD-ROM, quiosques multimídia, fui o primeiro desenvolvedor da Apple no RS.

Trabalhei em provedores de acesso à Internet, em algumas agências e também criei algumas delas (4 no total).

Ajudei a fundar a AGADi que posteriormente virou ABRADi e se multiplicou Brasil afora

Mais recentemente ainda fui sócio de uma empresa de e-mail marketing e monitoramento de mídias sociais, onde desempenhei diferentes atividades, como responsável pelo desenvolvimento de ferramentas oferecidas em padrão SAAS, fui responsável pelo suporte e atendimento de uma rede de mais de 18.000 marcas entre clientes diretos, canais e parceiros, além de dar apoio ao marketing digital da empresa.

Mas isso tudo não importa, o que importa é que eu nunca deixei de fazer web sites, atender clientes de todos os tipos e portes, e ajudar amigos e parceiros a utilizar melhor a Internet e a melhorar a qualidade dos serviços que prestavam, e até a criar produtos e escalar os mesmos.

Então, até influenciado por alguns deles, resolvi criar alguns cursos e transformar este conhecimento que adquiri em algo interessante para você.

Não vou vender nenhuma fórmula mágica, não garanto que ninguém vá ficar milionário da noite para o dia, mas eu acredito que consigo acrescentar alguma coisa da experiência que adquiri nesses últimos 27 anos para ajudar você a melhorar e a solucionar alguns problemas dos seus clientes, vou lhe ajudar a fazer a diferença na vida dos seus clientes.