Gustavo Tagliassuchi
Estudioso da web e seus desdobramentos, nerd, micreiro, pai dedicado de três filhos (um é peludo), marido esporádico, empreendedor, especialista em desenvolvimento de software para web, pesquisador, escritor, professor, marketeiro digital, blogueiro, apreciador de cervejas artesanais, admirador do WordPress, co-organizador dos Meetups de WordPress em Porto Alegre, organizador do WordCamp Porto Alegre 2019 e co-organizador em 2018 e 2017, ouvinte das músicas dos anos 80, sobrevivente do colesterol alto, corredor muito muito amador e sócio da Agência Dupla.

Um pouco mais velho

Neste mês, completando mais uma primavera, e perto da quadragésima, me senti um pouco velho desta vez. Não sei como passou tão rápido tudo, mas vou resumir o que tenho feito ultimamente.

Passando 1980 eu jogava o meu atari 2600 ou algum pocket do Donkey Kong, ainda namorava um Apple II, mas demorou mais um pouco para comprar o MSX. Enquanto isso eu lia muito a Micro Sistemas, a PC World (que ainda não tinha virado um jornalzinho) e a MSX Micro.

Foram muitas fitas de jogos compradas na Metaldata ou pelo correio. Foram muitas cópias via datacorder (era um gravador de mão com o azimuth regulado para ficar mais agudo e certeiro), com o pessoal da rua, difícil era funcionar, enquanto entre um jogo de cartucho e outro de diskete 360Kb simples face e simples densidade, digitava 300 linhas de basic, que aprendi na Advancing lá no centro, para rodar um quadradinho de um canto a outro da tela usando as teclas do cursor para controlar, ou aquela tartaruga da linguagem Logo que parecia uma pedra.

Até tinha um modem Parks para acessar o Cirandão, quem lembra disso?

Então logo chegou os anos 90, ao invés do XT preferi um 286, muito rápido, 2Mb de RAM, 40 Mb de disco RLL ou MFM sei lá como chamava, não tinha tela de fósforo verde, era branquinha mesmo.

Muito PC Tools, Norton Commander, conexão de 2400 bps com a BBS da Sisnema, tinha DOS, tinha Lotus 123, PC Anywhere, muito protocolo Kermit, Z-Modem e por aí vai. Fazendo upload do LHA, dos drivers de vídeo da placa Trident, eu conseguia créditos suficientes para baixar a lista das senhas do do pessoal da UFRGS que acessava o Vortex, lá era legal. Lá a gente achava que sabia o que era Internet.

Então logo começamos a mexer naqueles programas esquisitos, tinha o Autocad, comprei até o co-processador aritmético para usar, acabei deixando de lado.

Gostei mais do Animator, fazia umas animações legais, aprendi no curso da Grapho com o Luciano e sua senhora. Conheci amigos, que viraram sócios. A multimídia entrava na minha vida, assim como o primeiro Macintosh, era 1993 e ele já tinha dois monitores e capturava vídeo.

Resolvi que ia virar desenvolvedor da Apple. Paguei a licença anual de US$ 1.000,00. Foi naquele ano que o Jobs foi embora e o cara da Pepsi veio incomodar com Apples genéricos. A única coisa que recebi da Apple durante o ano seguinte foi uma caneta rollerball com o logo coloridinho ainda. Foi certamente a caneta mais cara que comprei.

Mas a Macromedia era legal, o Director, o Authorware, grande suporte aos desenvolvedores, assim como a Adobe, onde participei do lançamento do PageMill. Assim como o primeiro gravador de DVD, que custou quase US$ 5.000,00. Mas era bom, gravava as vezes em 1X os CDs virgens que custamam US$ 30,00.

Mas logo aprendi que tinha que ter um HD-AV, que não fazia calibração térmica enquanto estivesse em uso, foram apenas US$ 1.700,00 pelo Micropolis de 1,7Gb SCSCI, mas era legal, tinha gabinete externo como a maioria dos dispositivos SCSI, aqueles das placas Adaptec, que eram wide, ultra wide e por aí vai.

Aprendi a colocar uma rede Novell para fazer PCs (IPX/SPX) e Macintoshes conversarem (Appletalk), mas não foi fácil, porque nos manuais da Novell que vinha para o Brasil (sim, trabalhava com softwares registrados), as páginas que falavam disso não acompanhavam o restante. Aprendi também que um volume de disco Novell que não se monta não vale nada. Conheci um tal de NT 3.5.1.

Então em seguida surgiu uma coisa que pouca gente dá valor, muita tela preta e comandos tristes e inertes foram substituídos por um tal de Windows. Primeiro que vi foi o 2.0. Depois apareceu um 3.0, outro 3.11 for workgroups, e depois de um tempo a maravilha da engenharia de software da MicroSoft, o Windows 95. Podem me xingar, falar mal do Bill, da MS, mas o 95 significou o mesmo que o celular para a telefonia.

Passamos do inferno para um calor tropical. Foi bom. Depois de fazer muitos CDs e mandar prensar na Sony Music, achei que a tal da Internet tinha futuro, meus sócios não.

Nos separamos, comecei a gostar da coisa, muito recurso de multimídia aproveitável para a Internet, a primeira conexão (Vortex não conta) com a Conex, provavelmente a primeira internet compartilhada por servidor Linux, configurada pelo Dinamérico.

Muitos sites vieram, muitos e-mails, dezenas de horas no IRC e salas de chat, trumpet, Eudora (eu ainda uso) e Netscape, webmaster de provedor, muito conteúdo, projetos .com a torto e a direito, conhecendo pessoas novas, cuidando de gente e de recursos crescentes, o primeiro link de 256Kb a gente nunca esquece, assim como o primeiro modem 56Kb da Motorola, não era um USRobotics mas quebrava o galho, se a linha fosse tom, pulso era feio.

Então no início de 2000 muita coisa mudou, segui o meu rumo, os web sites me chamavam, a primeira transmissão em streaming de uma assembléia de consórcio pela Internet, para o consórcio Amauri, no Estreito em Florianópolis-SC, com um modem HDSL da Brasil Telecom recém adquirindo a Telesc. O roteador a Matrix emprestou. Foram anos legais, muito flash, muito endereço absoluto.

Aí as coisas se complicam, porque as pessoas são complicadas. Meu avô sempre dizia que fazendo negócios com as pessoas é que realmente conhecemos elas. Eu demorei para entender, mas segui adiante. Foram acertos, erros, muitos sites, muitos hot sites, aliás, centenas, muitas pessoas legais, empresas fantásticas, clientes maravilhosos que conheci e que admiro até hoje. Mas a vida continua, o primeiro site da NET, tava aparecendo o Cable Modem NET, era 256Kb mas era meu.

O Terayon veio, a velocidade e o preço aumentaram, mas seguimos adiante. Colocaram fibra ótica pela cidade toda, ao invés de ligar preferiram deixar tudo apagado. Foram anos de correria, de conhecimento, de vontade de crescer e seguir adiante. Algumas pessoas não entenderam, fugiram, correram de medo. Outras foram por outros caminhos.

Mas entendi que o meu caminho era esse. Então em 2008 uma mudança radical. Algo para melhor, quem sabe, vamos ver, e lá vamos nós de novo. Não aquento mais as redes sociais, os pios o dia inteiro, mas é por ali que temos que ir, porque alguém tem que sinalizar o caminho. Foi meio corrido o texto, mas lembrando, você já fez o seu e-mail marketing hoje?

Onde estaremos amanhã? Eu não sei, mas espero que a velocidade e a largura de banda sejam grandes e que o monitor tenha pelo menos 22 polegadas.

[podcast]http://www.fiapo.com.br/blog/wp-content/uploads/podcasts/gustavo20090601.mp3[/podcast]

Share

Gustavo Tagliassuchi

Eu sou Gustavo Tagliassuchi, minha formação é em tecnologia em informática, me especializei em desenvolvimento de software para a web, mas minha experiência profissional desde a década de 90 inclui editoração eletrônica, gráficas, desenvolvimento de aplicativos multimídia multi-plataforma, produzi muito CD-ROM, quiosques multimídia, fui o primeiro desenvolvedor da Apple no RS.Trabalhei em provedores de acesso à Internet, em algumas agências e também criei algumas delas (4 no total).Ajudei a fundar a AGADi que posteriormente virou ABRADi e se multiplicou Brasil aforaMais recentemente ainda fui sócio de uma empresa de e-mail marketing e monitoramento de mídias sociais, onde desempenhei diferentes atividades, como responsável pelo desenvolvimento de ferramentas oferecidas em padrão SAAS, fui responsável pelo suporte e atendimento de uma rede de mais de 18.000 marcas entre clientes diretos, canais e parceiros, além de dar apoio ao marketing digital da empresa.Mas isso tudo não importa, o que importa é que eu nunca deixei de fazer web sites, atender clientes de todos os tipos e portes, e ajudar amigos e parceiros a utilizar melhor a Internet e a melhorar a qualidade dos serviços que prestavam, e até a criar produtos e escalar os mesmos.Então, até influenciado por alguns deles, resolvi criar alguns cursos e transformar este conhecimento que adquiri em algo interessante para você.Não vou vender nenhuma fórmula mágica, não garanto que ninguém vá ficar milionário da noite para o dia, mas eu acredito que consigo acrescentar alguma coisa da experiência que adquiri nesses últimos 26 anos para ajudar você a melhorar e a solucionar alguns problemas dos seus clientes, vou lhe ajudar a fazer a diferença na vida dos seus clientes.

You may also like...

1 Response

  1. George disse:

    Muito bacana teu texto. Por mais que não tenha visto tudo o que tu falas aí, me identifico com a “emoção” de grande parte deste progresso tecnológico vertiginoso.

    []s

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *