Um ano depois da chuva

Ontem completou um ano que uma grande chuva alagou e inundou diversos bairros e ruas de Porto Alegre. Alguns amigos estavam no trânsito e também tiveram seus veículos alagados. O meu estava estacionado na garagem, pois eu estava levando o da minha esposa na revisão anual. No dia seguinte seria a vez dele passar pela primeira revisão, a de um ano.

Fiquei triste no começo, a seguradora levou o carro, e eu achei simplesmente que iam lavar e trocar alguma coisa de carpete ou forro interno (a água chegou  quase no vidro quando veio a onda, mas depois parou na metade da porta por mais de 10 minutos, o que provocou de fato a infiltração de água nos veículos, mais de 40 naquele dia só na garagem onde ele ficava). Mas não foi o caso, me ligaram informando que o conserto inviabilizou e eles dariam perda total.

Ok, comecei a procurar, primeiro um igual, mas em um ano desvalorizar R$ 13.000 é muito ruim. Nunca havia perdido um carro, e dado meu perfil de andar 10Km por dia em média achei que o vermelho ia ser meu companheiro por muitos anos.

A cada carro que procurava e verificava o valor do seguro, estranhamento ficava sempre na casa dos R$ 5.000,00. Comecei a desconfiar quando pedi o valor de um Chery QQ que custava cerca de R$ 22.000 e o seguro continuava próximo dos R$ 5.000. O mesmo aconteceu com Peugeot 208, Honda Fit, Nissan Versa e alguns outros.

Nisso o tempo foi passando, recebi o seguro, fiquei sem o carro reserva, e ainda assim segui pagando  box pois imaginava logo ter outro veículo a minha disposição. Mas o fato é que comecei a ir de táxi para o escritório, e logo na segunda semana fiz o teste de voltar a pé para casa. Demorou cerca de 21 min.

Comecei a achar interessante não pagar mais box perto de casa (no escritório a empresa me fornecia), seguro, gasolina, IPVA e comentei com minha esposa que não queria mais (pelo menos imediatamente) comprar outro carro. Ela achou muito estranho, mas tem sido assim desde então.

Esses 20 minutos diários (quando não chove forte) tem sido até importantes para refletir sobre tarefas e coisas a serem feitas, colocar as idéias em ordem e pensar a respeito das coisas em geral. Estou gostando.

Eu normalmente deixava o carro na garagem na sexta e só pegava novamente na segunda-feira, no final de semana utilizava o da minha esposa. É claro em em alguns momentos é ruim não ter dois veículos a disposição, como por exemplo nas férias indo para o litoral com bagagem de 4 pessoas. Mas isso é contornável.

Durante esse período eu olhei diversos modelos, eventualmente alguma “oferta” me chama a atenção, as vezes até vou olhar, mas acabo não comprando novamente. Não sei se isso vai se manter assim, pois tenho utilizado muito os táxis, e até rendeu um post que vou atualizar nos próximos dias.

Enfim, é isso, um carro a menos, mas estranhamente me sinto feliz.

Gustavo Tagliassuchi

Velha ave de rapina, estudioso da web e seus desdobramentos, nerd, micreiro, pai dedicado de três filhos (um é peludo), marido esporádico, empreendedor, especialista em desenvolvimento de software para web, pesquisador, escritor, professor, marketeiro digital, blogueiro, apreciador de cervejas artesanais, profundo admirador do WordPress, ouvinte das músicas dos anos 80, sobrevivente do colesterol alto e corredor muito muito amador.

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