Trânsito: um problema global

Muito tenho observado, refletido, lido e sentido a respeito dos problemas atuais que temos (nós todos, em qualquer parte do mundo) com o trânsito, mobilidade urbana, nos afeta cada dia mais e em escala crescente.

Eu discuto sobre isso com frequência com o amigo Andrey Andrade, e sobre o trânsito temos observado basicamente o seguinte:

  • A cada dia mais carros nas ruas;
  • A cada dia se perde mais tempo com deslocamento;
  • Transporte coletivo ineficiente;

Entendo que a iniciativa de se buscar resolver ou minimizar o problema não é simples, e nem rápida, muito menos barata. Mas a grosso modo precisamos combater e aperfeiçoar:

  • Diminuição do tempo perdido;
  • Otimização da sinalização viária;
  • Transformando o percurso e as escalas em algo interessante;

E entendo que neste sentido devemos criar um grande “ecossistema”, baseado em hardware e software, mas que seja descentralizado, inteligente e autônomo. Sendo o software o receptor e processador de grandes quantidades de dados, porém filtrados antecipadamente pelas unidades autônomas de hardware, que seriam também dispositivos básicos mas dotados de alguma inteligência. Esse ecossistema permitiria em linhas gerais o seguinte, fornecer e enviar informações relevantes em tempo real para:

  • Usuários;
  • Motoristas;
  • Veículos;
  • Governo;
  • Empresas;

Neste momento encontramos algumas iniciativas com alguma ou nenhuma semelhança com o que cito acima, mas sendo desenvolvidas mundo afora, como por exemplo:

E ainda as iniciativas do Google e da Audi com veículos autômatos/autônomos, ou como se tem lido muito por aí, veículos sem motorista. Neste caminho acho que o Google tem feito grandes investimentos e tendo resultados medianos, acho que a abordagem de fazer o veículo e seus dispositivos processarem grandes volumes de dados, e com isso limitar sua velocidade e ação, são grandes empecilhos para seguirem em frente.

A idéia em grande parte (e acho que o Google deveria pensar nisso e me auxiliar) seria alterarmos todo o conceito das placas de sinalização viária, coletarmos dados, processarmos, armazenarmos, devolvermos, tudo de maneira transparente, dispositivos autônomos até na sua energia, redes sem fio, descentralização, monitoramento, reação automática a catástrofes, acho que é pra isso que temos um cérebro mais desenvolvido certo? Se não mudarmos o que temos feito até agora, porque o problema vai diminuir?

Lembro ainda que os pedestres/passageiros podem fornecer informações valiosas, fornecer itinerários, horários de deslocamento, tempo de travessia em determinada rota, tempos de deslocamento, isso pode ser feito de diversas maneiras, entendo que as mais fáceis são pelo IMEI dos celulares, pelos cartões de transporte público e por simples sensores específicos.

Em um episódio recente a EPTC, Empresa Pública de Transporte e Circulação, aqui de Porto Alegre, fez um pequeno teste alterando para 30 segundos o tempo de travessia dos pedestres em todas as faixas de segurança do centro da cidade. Foi o suficiente para se criar o caos.

O teste foi cancelado. Entretanto o problema persiste, pessoas idosas ou com deficiência precisam de mais tempo para cruzar a faixa. Um país na ásia utilizou um pouco mais o cérebro antes de fazer seu teste, e fez o seguinte, nas faixas de segurança além do botão para solicitar a travessia, existe um leitor para o cartão de transporte público (aqui tempos o cartão, não temos o cérebro e o leitor instalado), e então o idoso ou deficiente ao passar seu cartão pela leitora, informa ao sinal que ele precisa de mais tempo, o que é feito adicionalmente para aquela travessia naquele momento. Resolvido o problema.

É nisto que eu acredito. Entendo que tempos ônibus, trem, metrô e barcos como meio de transporte coletivo urbano, sendo assim se faz necessária a identificação do usuário, sua rota e perfil de uso desses sistemas. Isso permitirá o planejamento da quantidade de veículos/hora para cada momento do dia, identificação de eventos especiais fora de horários de pico, aviso as empresas e autoridades, como por exemplo fluxo de pessoas em dias de jogo de futebol, de um show de alguma banda. Permitiria inclusive de maneira automática mudança de rotas em tempo real em função de acidentes, obras ou outros acontecimentos.

Aqui em Porto Alegre a cada vez que chove perdemos uma parte dos semáforos, ou ficam no amarelo piscante ou apagados. Se fosse unidades autônomas no fornecimento de energia, interligadas ou não, poderiam aprender e entender por exemplo que se fossem desconectadas da energia ou do sistema central, devem funcionar seguindo seu padrão normal, o que permitiria mesmo sem um controle central algum tipo de atividade controladora do trânsito. Ou mesmo uma unidade central num cruzamento controlando as demais em caso de pane, teríamos sim algum ganho com isso, não simplesmente o tudo funcionando ou nada funcionando.

E quanto ao fornecimento de informações mais detalhadas, perfil de consumo? Quem disse que eu não quero fornecer minhas informações pessoais? Sim o usuário pode fornecer seus dados sem se identificar, mas se ele quiser se identificar qual o problema? O avanço nas áreas do marketing seriam interessantes, nem é preciso aprofundar.

Já voltando aos meios de transporte de massa, realmente o fornecimento de dados em tempo real poderia minimizar os problemas de integração entre modais, que é muito comum você perder atualmente o trem pois o ônibus atrasou. Se o trem estivesse recebendo os dados do ônibus em tempo real poderia ter diminuído um pouco a velocidade ou aguardado mais 2 minutos na estação.

Não estou finalizando aqui este post, mas apenas iniciando a discussão.

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Gustavo Tagliassuchi

Eu sou Gustavo Tagliassuchi, minha formação é em tecnologia em informática, me especializei em desenvolvimento de software para a web, mas minha experiência profissional desde a década de 90 inclui editoração eletrônica, gráficas, desenvolvimento de aplicativos multimídia multi-plataforma, produzi muito CD-ROM, quiosques multimídia, fui o primeiro desenvolvedor da Apple no RS.Trabalhei em provedores de acesso à Internet, em algumas agências e também criei algumas delas (4 no total).Ajudei a fundar a AGADi que posteriormente virou ABRADi e se multiplicou Brasil aforaMais recentemente ainda fui sócio de uma empresa de e-mail marketing e monitoramento de mídias sociais, onde desempenhei diferentes atividades, como responsável pelo desenvolvimento de ferramentas oferecidas em padrão SAAS, fui responsável pelo suporte e atendimento de uma rede de mais de 18.000 marcas entre clientes diretos, canais e parceiros, além de dar apoio ao marketing digital da empresa.Mas isso tudo não importa, o que importa é que eu nunca deixei de fazer web sites, atender clientes de todos os tipos e portes, e ajudar amigos e parceiros a utilizar melhor a Internet e a melhorar a qualidade dos serviços que prestavam, e até a criar produtos e escalar os mesmos.Então, até influenciado por alguns deles, resolvi criar alguns cursos e transformar este conhecimento que adquiri em algo interessante para você.Não vou vender nenhuma fórmula mágica, não garanto que ninguém vá ficar milionário da noite para o dia, mas eu acredito que consigo acrescentar alguma coisa da experiência que adquiri nesses últimos 26 anos para ajudar você a melhorar e a solucionar alguns problemas dos seus clientes, vou lhe ajudar a fazer a diferença na vida dos seus clientes.

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