O que aconteceu com a Garmin? E com a Nike?

Vou falar da Garmin e da Nike, respectivamente “fabricantes” de dispositivos de GPS de pulso que utilizei bastante.

Desde que tive um certo incidente elétrico no coração em 2011, comecei entre outras coisas a me exercitar. No começo só podia sob supervisão caminhar 10 minutos dia sim e dia não. Como o médico me mandou monitorar os batimentos, e eu já levava meu iPhone 3G com as músicas que ouviria, nada me pareceu mais óbvio monitorar meus batimentos através dele se possível.

Pesquisei e encontrei uma empresa chamada Wahoo. Lá comprei e mandei entregar aqui no Brasil uma cinta e um adaptador ANT+ que era comectado no iPhone, para transmitir os dados coletados e eu poder monitorar e analisar depois. Mas eu aparentemente comecei ao contrário das pessoas que se exercitam, pois comecei monitorando o coração por ser exigência do médico.

Com o passar do tempo, tudo dentro do esperado, a cada semana aumentava em 10 minutos o meu tempo dia sim e dia não de caminhada, a carga aumentando, e eu percebi que além de monitorar os batimentos o fantástico aplicativo ainda monitorava o meu percurso (sim, tinha GPS na parada sim).

E o tempo passando, e passando, quando eu estava caminhando cerca de 1h30, junto da dieta e quase 25 Kg mais magro cheguei e falei para o médico: Dr João, não posso fazer outra coisa, não tenho tempo para caminhar 1h30, tenho família e uma empresa para tocar. Ele respondeu, pode, quem sabe começa a correr?

E aí começou a fantástica saga do gordinho aqui, procurei um personal que tinha uma academia, só pra me dar a “receita para correr”, ele insistiu muito que eu fizesse também reforço muscular, mas como eu que sabia das coisas disse não, me dá o que tenho que fazer pra correr, ele fez um teste de esforço e em alguns dias me enviou uma “planilha de corrida”, que são minhas amigas até hoje.

Obviamente que comecei o lento treinamento de adaptação, e em determinado dia acordei com o joelho duro de dor e de outras coisas que quase me impossibilitavam de mexer, liguei para o personal apavorado, me sugeriu procurar o médico, que me mandou tomar anti inflamatório, outra coisa fantástica da indústria farmacêutica que eu ainda não tinha descoberto. Em alguns dias voltei ao normal e voltei na academia do personal, que me sentou o relho, e aí então comecei o reforço muscular, que faço até hoje. Nunca mais tive problemas mais sérios de ordem muscular.

A partir daí segui fielmente a planilha, em 3 meses fiz minha primeira corrida, era setembro de 2011, uma prova de 5Km, mas aí já usava o RunKeeper para monitorar as corridas. e aí no outro mês outra corrida de 5Km, terminando o ano numa prova de 6Km, onde até vomitei na linha de chegada, um horror.

O RunKeeper é um aplicativo fora de série, junto dele testei outras dezenas, ainda utilizava o da Nike e outro que pra mim foi o melhor que utilizei, chamava iSmoothRun. A diferença básica entre eles é que o RunKeeper te motiva o tempo todo, sempre arranja um dado para mostrar a tua evolução, seja tempo, distância, quantidade de corridas, etc. É ótimo para quem está iniciando, tinha a limitação de não aceitar o pedômetro, que é algo interessante para treinos indoor ou dias de chuva que o GPS do telefone te deixava na mão. Naquela época ainda eram ruins.

O da Nike na mesma linha, ainda te comparava com corredores da mesma faixa etária, embora mais focado para as coisas da Nike, e na época cheio de bugs, mas também era motivador e auxiliava muito no compartilhamento das tuas conquistas, algo que sempre achei interessante, pois se conseguirmos motivar uma pessoa pelo nosso esforço é mais legal certo?

Mas o aplicativo que mais gostei chamava iSmoothRun, ele além de aceitar o pedômetro ainda sincronizava os dados com todas as plataformas conhecidas para quem corria/cainhava/andava de bicicleta. Usei um bom tempo.

Mas aí as coisas vão apertando, do 5Km para os 6Km e para os 10Km, em seguida achei que ia ficar por ali, vieram os 16Km, logo depois os 21Km, e achei que era o máximo que essa velha carcaça aguentaria, sempre com muito apoio do personal e da nutricionista.

Nike GPS - TomTomMais ou menos nesta época, 2012 comecei a utilizar o GPS de pulso, uma vez que a bateria do telefone já não aguentava o esforço dos treinos mais longos. Comprei o mais em conta, um Nike (TomTom), que no Brasil custava R$ 1.000,00 mandei trazer dos EUA por um grande amigo, completo com cinta e pedômetro custou US$ 120,00, menos de R$ 300,00 na época.

E comecei a utilizar, ele integrava com o aplicativo da web da Nike que eu já conhecia, utilizava os mesmos recursos motivacionais, tinha um conector USB na pulseira para carregar e sincronizar, muto legal, embora demorasse uma vida para encontrar satélites, a bateria as vezes ficava maluca, e muitas vezes comprometia o monitoramento do treino, pois o GPS tinha soluços como durante uma corrida eu aparecer na África do Sul por alguns segundos. Era infame.

Não recomendo, da Nike de fato recomendo só as roupas de corrida, essas sim não tem igual. Aliás, quando encontrar alguma roupa legal compre duas ou três unidades, pois dificilmente vai ver elas novamente nas lojas da Nike no Brasil.

Fiz algumas provas de revezamento, quartetos e octetos em maratonas, e por fim um quarteto na TTT, ultramaratona de 88Km no litoral gaúcho. Depois de algumas provas de 21Km veio o desafio, vamos tentar os 42Km? Aceitei mais ou menos na mesma época que me motivei a comprar um GPS de profissional, de gente que corre mesmo, mandei vir de fora um Garmin Forerunner 610. Ótimo aparelho, durou exatamente 2 anos, e durante um treino na rua o botão start/stop saiu voando. Fiquei muito revoltado, nem corro tanto assim e sempre cuidei muito do aparelho.

Quem já teve um Garmin e foi procurar assistência técnica aqui no Brasil sabe o que é revolta. Mas resolvi fazer diferente, peguei todas as tralhas da Garmin coloquei numa caixa e escrevi uma carta para o presidente da empresa, não desaforada mas fortemente motivada, em alguns dias uma pessoa lá entrou em contato e me informou que ia me mandar um aparelho novo pela assistência brasileira, eu ri e nem dei bola. Em alguns dias ela me contacta de novo, informando que seria mais fácil mandar de lá o aparelho mesmo, mas poderia ter alguma despesa de alfândega. Ok. Aceitei.

Garmin GPS Forerunner 610Me mandaram outro 610 e uma cinta mais sofisticada, o pedômetro ficou por lá e não voltou. O aparelho era sensivelmente mais leve que o anterior, ainda funciona, mas demora para sincronizar os satélites agora depois de um ano. Achei quer era azar meu, mas não, diversos amigos que correm com diversos modelos de Garmin (que parece lançar um GPS por semana agora) reportaram o mesmo tipo de problemas além de outros.

A cinta está com a bateria no fim e não consigo trocar, o sistema que era aberto com uma moeda foi substituído por 4 parafusos já corroídos pelo suor. Não estou inclinado a comprar outra embora o monitoramento dos batimentos tenha ficado marcado em mim desde sempre. Mas por outro lado a parte online do Garmin Connect, que sincroniza os dados do GPS, o fato de ser wireless a sincronização e os demais produtos me fazem preferir a Garmin obviamente.

E aliás nem sei se compraria Garmin novamente, adorava esses caras mas não tenho mais segurança. Esses modelos novos que já medem batimento sem precisar de cinta, alguns até com aplicativos personalizados, mas enfim. Você utiliza alguma outra marca? Comente aí, me ajude, sou um corredor muito muito amador.

Para não achar que é só mimimi dá uma olhada aqui no Reclame Aqui da Garmin. E na da Nike.

Gustavo Tagliassuchi

Velha ave de rapina, estudioso da web e seus desdobramentos, nerd, micreiro, pai dedicado de três filhos (um é peludo), marido esporádico, empreendedor, especialista em desenvolvimento de software para web, pesquisador, escritor, professor, marketeiro digital, blogueiro, apreciador de cervejas artesanais, profundo admirador do WordPress, ouvinte das músicas dos anos 80, sobrevivente do colesterol alto e corredor muito muito amador.

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