Gustavo Tagliassuchi
Estudioso da web e seus desdobramentos, nerd, micreiro, pai dedicado de três filhos (um é peludo), marido esporádico, empreendedor, especialista em desenvolvimento de software para web, pesquisador, escritor, professor, marketeiro digital, blogueiro, apreciador de cervejas artesanais, admirador do WordPress, co-organizador dos Meetups de WordPress em Porto Alegre, organizador do WordCamp Porto Alegre 2019 e co-organizador em 2018 e 2017, ouvinte das músicas dos anos 80, sobrevivente do colesterol alto, corredor muito muito amador e sócio da Agência Dupla.

Antes de vender tenha certeza de que sabe receber

Ao final de 2005, já contabilizando o balanço geral do ano que acabava, conseguimos ainda resgatar algumas propostas que pareciam perdidas, e fechar alguns novos negócios, mesmo que iniciassem realmente já em 2006. Entre eles um projeto para uma empresa de importação, sediada nos Estados Unidos.

Até aí tudo bem, não fosse a nossa falta de experiência em receber quantias oriundas do exterior ? o que parecia a primeira vista uma tarefa simples, tendo em vista que o cliente sinalizou que poderia pagar via cartão de crédito ou depósito bancário. Verificamos alguns sistemas de pagamento e optamos por um gateway famoso, recentemente adquirido por uma grande empresa ainda mais famosa.

Feita a cobrança, o cliente paga, em poucos dias chega um cheque nominal a minha pessoa (com o desconto de uma módica taxa de 2%), montante em dólares, de um banco global digamos assim. Primeiro passo procuro o banco global, disseram que fariam sim a operação, se eu fosse correntista, o que não era o caso.

Procuro meu banco, mas fui gentilmente informado que eles não faziam mais o serviço de ?compensação internacional? já havia alguns anos, ou seja, nada feito. Disseram-me que é um serviço ruim, pois o tal cheque pode ser sustado até cinco anos depois de pago pelo banco, e este tem que arcar com a devolução do valor, e ir atrás do cliente para cobrar o dinheiro de volta.

Contrariado, aceito e parto para o segundo banco, onde fui prontamente atendido pelo setor de câmbio, que amigavelmente informou ser uma operação normal, bastava apenas me dirigir à agência que eu tinha conta e fazer isso.

Ligo para minha agência para me informar, após me solicitarem algum tempo para o retorno, ligo novamente, e sutilmente sou informado de que era uma operação complexa, demorada (leva cerca de 45 a 60 dias) e que só é feita para clientes ?especiais?, o que não é o meu caso, pois só tinha dólares no cheque, não na cueca!

Bom, tentei de outras formas, networking é para isso, mas meus relacionamentos eram de outras agências ? do mesmo banco ? me sugeriram tentar trocar o cheque (mandar de volta) por uma transferência via ?Western Union?. Lá fui eu atrás do gateway, rapidamente me disseram que no meu caso só poderiam fazer transferência para uma conta corrente nos US, e o pior, o cheque que me mandaram não era passível de devolução e estorno.

Achei que tinha literalmente entrado pelo cano. A noite em casa vi um comercial do meu segundo banco, mostrando como ajudava o pequeno empresário, inclusive a exportar. Pensei, que banco é esse que me ajuda a exportar e não me ajuda a receber, não é possível, alguém precisa me ajudar.

Fui atrás da ouvidoria, foi a coisa mais fantástica, horas depois meu celular toca, era uma espécie de gerente de algum serviço do banco, muito educada, me pediu para voltar ao banco que a operação seria feita.

Não somente fui rapidamente lá, e fui extremamente bem atendido por um rapaz, que inclusive me conhecia aqui do Baguete (deve ser meu terceiro leitor, o primeiro é o Gilnei e o segundo minha mãe). E ainda, tive que emitir uma nota fiscal (mais um impostinho básico), com o valor aproximado, e ainda assinar um termo ou algo parecido, de que durante 5 anos me comprometo com aquele valor caso algo aconteça e tal.

Fica o recado, em cerca de 60 dias saberei se tudo correu bem. Moral da história: É preciso saber vender, mas também saber receber! E as vezes a gente acha que sabe de tudo…

P.S.: Hoje, no dia da publicação desta coluna, fui chamado no banco, tinha que ter “endossado” o cheque. Acho que agora vai!

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Gustavo Tagliassuchi

Eu sou Gustavo Tagliassuchi, minha formação é em tecnologia em informática, me especializei em desenvolvimento de software para a web, mas minha experiência profissional desde a década de 90 inclui editoração eletrônica, gráficas, desenvolvimento de aplicativos multimídia multi-plataforma, produzi muito CD-ROM, quiosques multimídia, fui o primeiro desenvolvedor da Apple no RS.Trabalhei em provedores de acesso à Internet, em algumas agências e também criei algumas delas (4 no total).Ajudei a fundar a AGADi que posteriormente virou ABRADi e se multiplicou Brasil aforaMais recentemente ainda fui sócio de uma empresa de e-mail marketing e monitoramento de mídias sociais, onde desempenhei diferentes atividades, como responsável pelo desenvolvimento de ferramentas oferecidas em padrão SAAS, fui responsável pelo suporte e atendimento de uma rede de mais de 18.000 marcas entre clientes diretos, canais e parceiros, além de dar apoio ao marketing digital da empresa.Mas isso tudo não importa, o que importa é que eu nunca deixei de fazer web sites, atender clientes de todos os tipos e portes, e ajudar amigos e parceiros a utilizar melhor a Internet e a melhorar a qualidade dos serviços que prestavam, e até a criar produtos e escalar os mesmos.Então, até influenciado por alguns deles, resolvi criar alguns cursos e transformar este conhecimento que adquiri em algo interessante para você.Não vou vender nenhuma fórmula mágica, não garanto que ninguém vá ficar milionário da noite para o dia, mas eu acredito que consigo acrescentar alguma coisa da experiência que adquiri nesses últimos 26 anos para ajudar você a melhorar e a solucionar alguns problemas dos seus clientes, vou lhe ajudar a fazer a diferença na vida dos seus clientes.

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