Gustavo Tagliassuchi
Estudioso da web e seus desdobramentos, nerd, micreiro, pai dedicado de três filhos (um é peludo), marido esporádico, empreendedor, especialista em desenvolvimento de software para web, pesquisador, escritor, professor, marketeiro digital, blogueiro, apreciador de cervejas artesanais, admirador do WordPress, co-organizador dos Meetups de WordPress em Porto Alegre, organizador do WordCamp Porto Alegre 2019 e co-organizador em 2018 e 2017, ouvinte das músicas dos anos 80, sobrevivente do colesterol alto, corredor muito muito amador e sócio da Agência Dupla.

Antes de pensar em criar um curso online

Antes de pensar em criar um curso online

Resolvi escrever alguns posts sobre como criar um curso, mas para isto vamos começar com o que você deve fazer antes de pensar em criar um curso online.

Também estou preocupado com a falta de experiência dos professores dos meus filhos, e também da escola nestes tempos de Coronavírus, e ao invés de apenas reclamar resolvi ajudar de alguma forma.

O mais difícil, o conhecimento eles tem, então vamos tratar de produzir excelentes conteúdos de ensino para as nossas crianças.

Que poderão em sua maioria serem utilizados indefinidamente, não em próximas pandemias, mas nos próximos anos e turmas na escola.

Ninguém precisa saber tudo nesta vida, mas a gente sempre pode melhorar.

Recebi uma provocação

Alguns anos atrás eu fui provocado por um amigo, me intimando a produzir um curso online, coisa que por um lado me instigava mas por outro me amedrontava, afinal como a maioria das pessoas, no fundo me considerava um impostor, nem achava realmente que poderia ensinar algo a alguém.

Mas entre trancos e barrancos, comecei a fazer um curso sobre algo que fiz muito tempo na minha vida, mantive uma agência digital.

Eu confesso que a primeira versão do curso, e a primeira dica que vou dando de imediato é a seguinte, eu primeiro escrevi um livro sobre o assunto, achei mais fácil para organizar as minhas ideias produzir um livro.

A estrutura (índice) foi crescendo e tomando forma, até que finalizei o mesmo, sem ter muita certeza se seria válido para alguém.

Eu não sei o que eu vou ensinar!

Veja, tem que ser a intersecção entre a sua paixão (algo que você realmente ama) com seu talento (aqui no qual você é bom) com preferencialmente alguma demanda do mercado (que faça você ser pago para fazer).

Estou simplificando, mesmo que você faça algo para a escola, universidade ou curso que já leciona, tem que pensar sobre o futuro, é o seu primeiro curso, não precisa parar aí.

Você ensina matemática para alunos da 7ª série. Não seria legal ensinar para pelo menos 1 aluno de sétima série de todas as escolas do país? Pense nisso.

Você faz um Godzilla mas deveria fazer um esbelto lagarto

É claro que como bom marinheiro de primeira viagem, resolvi colocar muito esforço naquele livro que serviria de base para o meu curso.

Só que o negócio ficou meio gigante. Eu devo ter um backup dele em algum lugar, mas imagine um documento de 400 páginas tamanho A4, tinha muita coisa ali.

Ao começar a produzir o curso, baseado no livro, percebi que levaria muito tempo para fazer, pois era imensa a quantidade de conteúdo textual, mesmo cortando e resumindo algumas coisas.

Vamos ver como os especialistas estão fazendo

E aí comecei a pesquisar sobre o assunto, e entendi que deveria simplificar o mesmo, me ater aos pontos principais.

Isso não é piorar a qualidade do que vai ser ensinado, muito pelo contrário. Ao manter uma estrutura mais enxuta – e neste momento você só acha que seu conteúdo pode ser interessante para outros – você tem margem de manobras para o futuro.

Ei, isso aqui é tudo digital, nunca termina, e sempre pode melhorar

Me dei conta do seguinte, os livros que produzi antes de fazer os cursos, além de servirem de base para os cursos, também foram publicados na Amazon.

E a partir deles, finalmente comecei a produzir os cursos, um de cada vez.

Entenda que depois de produzidos, podem ser atualizados, e até refeitos. O meu primeiro curso, Agência Digital na Prática foi totalmente refeito, pois o primeiro tinha suas limitações.

Uma boa dica, quando tiver alunos, é tentar perguntar, o que eles querem.

O primeiro curso foi bom?

Além das minhas limitações, aparecer na frente da câmera, minha voz, tinha a parte explicativa, apresentações onde eu narrava cada trecho do curso.

O microfone do headset era ruim, a minha voz ainda ajudava a piorar, mas sabe do que mais, esqueça a perfeição! Eu fui lá e fiz!

Você já tem todos elementos, celular, webcam e arranje um headset com bom microfone e vamos à luta.

Prefira fazer suas aulas em PowerPoint, ficará mais fácil gerenciar no futuro e atualizar.

Fiz de uma maneira que na teoria dava mais qualidade, mas era bem trabalhoso de produzir.

Assim como tornei o curso único dentro de seu próprio site, isso foi bom no início, mas depois virou um limitador, teria que replicar a estrutura para cada novo curso.

Isso de fato não era muito escalável. Percebi que deveria utilizar uma plataforma apropriada para disponibilizar o meu curso e focar na produção, manutenção e suporte aos usuários.

O primeiro curso tem hoje 1.828 alunos. Não fiquei rico, não consigo agradar todos, mas consegui colocar para fora muito conhecimento tácito e transformar em conhecimento explícito.

Não dá para agradar a todos

Certa vez tive um aluno, num curso gratuito que disponibilizei, ele reclamou de tudo o que era possível, mesmo tendo assistido apenas 15% do curso, colocou a nota mais baixa e ainda falou muito mal da minha voz.

Eu normalmente não respondo esse tipo de provocação, se você agrada 80% dos alunos, então acho que estou no caminho certo, mas no caso dele perguntei se ele queria pagar pelo curso, aí eu poderia contratar o Cid Moreira para narrar. A resposta nunca veio.

Não dê ouvidos, cada novo capítulo/módulo do curso vai ficando melhor que o anterior e assim por diante.

É a prática que nos leva à perfeição certo?

Mas eu sou um impostor

Na primeira vez que li a respeito da síndrome do impostor, procurei no texto achando que tinha sido escrito para mim.

Sempre me encaixei nessa descrição.

Mas a verdade é que não é o quanto você sabe ou acha que sabe sobre um assunto.

É como você pode ensinar o que você sabe neste momento sobre um assunto à alguém que não sabe nada, ou sabe muito menos que você.

Sou impostor? Sim, sem dúvida. Mas tem muita gente que sabe muito menos do que eu tendo muito mais sucesso, e o que eu farei a respeito?

Vou ensinar!

E então, devo fazer um curso?

Vou ajudar você a analisar e pensar se vale a pena fazer o seu próprio curso a partir de meus erros e minhas descobertas.

Qual o objetivo no final? É criar uma transformação no aluno. Se você conseguir transformar apenas um deles, missão cumprida!

Fique à vontade para perguntar!

Algumas dicas antes de começar

  • Valide o assunto do seu curso;
  • Procure mirar em um determinado público, um nicho;
  • Se preferir defina os objetivos do curso antes de definir o público alvo;
  • O nome do curto é importante, mas não é tudo;
  • O preço é importante, mas comece de baixo;
  • A tecnologia está aí para nos ajudar;
  • Monitore os dados do curso o tempo todo;
  • Distribua alguns convites para pessoas e peça a avaliação sincera;
  • Na introdução fale sobre tudo o que será visto no curso;
  • A perfeição não existe, levante, vá lá e faça;
  • Teste diferentes tipos de conteúdos em vídeo;
  • Módulos curtos são mais eficazes;
  • Legendas ajudam;
  • Não entupa os slides com muito conteúdo;
  • Faça resumos e disponibilize para download;
  • Faça atividades práticas;
  • Ensinar presencialmente é diferente de ensinar online;

Se você for um professor, tenho certeza que terá sucesso no seu curso, sendo ele para seus alunos atuais ou para os novos.

Se você não for um professor, então se prepare para virar um!

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Gustavo Tagliassuchi

Eu sou Gustavo Tagliassuchi, minha formação é em tecnologia em informática, me especializei em desenvolvimento de software para a web, mas minha experiência profissional desde a década de 90 inclui editoração eletrônica, gráficas, desenvolvimento de aplicativos multimídia multi-plataforma, produzi muito CD-ROM, quiosques multimídia, fui o primeiro desenvolvedor da Apple no RS. Trabalhei em provedores de acesso à Internet, em algumas agências e também criei algumas delas (4 no total). Ajudei a fundar a AGADi que posteriormente virou ABRADi e se multiplicou Brasil afora Mais recentemente ainda fui sócio de uma empresa de e-mail marketing e monitoramento de mídias sociais, onde desempenhei diferentes atividades, como responsável pelo desenvolvimento de ferramentas oferecidas em padrão SAAS, fui responsável pelo suporte e atendimento de uma rede de mais de 18.000 marcas entre clientes diretos, canais e parceiros, além de dar apoio ao marketing digital da empresa. Mas isso tudo não importa, o que importa é que eu nunca deixei de fazer web sites, atender clientes de todos os tipos e portes, e ajudar amigos e parceiros a utilizar melhor a Internet e a melhorar a qualidade dos serviços que prestavam, e até a criar produtos e escalar os mesmos. Então, até influenciado por alguns deles, resolvi criar alguns cursos e transformar este conhecimento que adquiri em algo interessante para você. Não vou vender nenhuma fórmula mágica, não garanto que ninguém vá ficar milionário da noite para o dia, mas eu acredito que consigo acrescentar alguma coisa da experiência que adquiri nesses últimos 26 anos para ajudar você a melhorar e a solucionar alguns problemas dos seus clientes, vou lhe ajudar a fazer a diferença na vida dos seus clientes.

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