Eu estudei na Ulbra

O ano era 1991, era a segunda turma de informática da universidade, no novíssimo campus de Canoas, poucos prédios, muita área disponível, acesso difícil de ônibus e trem, carro poucos colegas tinham naquela época.

Ainda que me chamaram de louco, pois entre e a PUC e a Ulbra preferi a segunda, pelo menos os horários das aulas eram decentes, ocupavam turnos definidos, o que me daria oportunidade de trabalhar.

A universidade já não tinha uma boa reputação, ah passar na Ulbra é fácil. Mas nem era tão fácil não, média 8, 75% de freqüência mínima, corpo docente de pessoas esforçadas mas que tinham se formado no máximo a um ano atrás, poucos eram os mestres e doutores, mas o pessoal era esforçado, se via o andamento dos trabalhos, se via investimentos e reconhecimento. Muito se falava de pesquisa científica e muitos eram os projetos e vagas para alunos pesquisadores ? até fui um deles.

Ali fiz grandes amizades, tive o pensamento modificado por excelentes mestres, boas lembranças e conhecimentos que carrego até hoje. Alguns professores hoje são doutores, alguns colegas viraram professores, e muitos deles bons amigos. Alguns colegas viraram empresários, outros sumiram para sempre em eras de Internet lascada e poucos celulares disponíveis.

Ali me formei, a muito custo porque tranquei o curso quando o $$ começou a entrar (má escolha). E voltei a contragosto, pois levei um colega lá para conhecer onde iria estudar, e alguns ex-colegas agora professores ou gestores insistiram em ver quanto faltava para eu me formar. A boa notícia era que faltavam poucas cadeiras e créditos, a má notícia era que o curso que entrei originalmente (Informática) seria extinto, eu deveria me formar naquele ano!

Isso era 2002 já, a universidade estava enorme, dezenas de prédios novos, milhares de alunos (e alunas) andando pelos corredores e pátios entre os prédios, milhares de vagas de estacionamento, e detalhe, de Canoas a universidade alcançara todo o Brasil, interior do RS, ou seja, crescera de maneira surreal.

Eu aceitei o desafio, não foi um ano fácil aquele, mas no final deu tudo certo e o canudo veio. Pouco tempo depois, em 2005, retornei para uma pós-graduação, minha primeira especialização formal. Também motivo de reencontro com amigos, professores e colegas, alguns de trabalho.

Entre a graduação e a pós ainda participei de alguns eventos, palestras, dei uma ou outra aula, falei para alunos de primeiro e segundo semestres como é empreender por aqui, foi muito bom, só tenho boas lembranças.

Fiquei muito triste a partir do ano passado, quando problemas estruturais graves começaram a aparecer, coisas inacreditáveis que abalaram meu sentimento com relação à instituição que me formara para o mercado e também para a vida. Conversei com diversas pessoas de lá pra cá, o problema se avolumou, a greve na rede de saúde (meu primeiro filho nasceu num hospital da Ulbra, assim como lá fiz meu primeiro plano de saúde), tudo colaborava para um trágico desfecho.

Mas nem tudo estava perdido, existem pessoas decentes, a linha mestra da razão e da boa vontade foi retomada. Até me deu um alívio embora não fosse afetado diretamente.

Fiquei ainda mais contente quando vi lá no meio da nova gestão um grande colega e amigo, agora eu sei que a coisa vai voltar ainda melhor do que era no começo. Vão e voltem logo, estou torcendo por vocês.

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26
abr 2009
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Ajudar ao próximo?

Quando ingressei na universidade, em 1991, a dica dos professores era, o cara ao seu lado será seu concorrente, nunca fale com ele, não compartilhe seu conhecimento e estude para um bom concurso público.

Logo depois ser funcionário público era quase que um crime, as pessoas começaram a compartilhar conhecimento, a Internet veio depois, os empregos sumiram, a verdade é que se você quisesse mudar alguma coisa precisaria empreender.

Mas empreender por si só não quer dizer nada. O problema foi que muito da mentalidade continua ? eu mesmo demorei anos para me dar conta que existem empresas e parceiros de negócio, não somente aqueles que desejam formar parcerias com nome de cerveja preta…

Mas daí a ajudar aos colegas de classe, vai uma distância enorme. Fico entusiasmado a cada vez que vejo o Gilnei atear fogo no mercado, mas o problema é esse meu velho. A nossa mentalidade.

A maioria dos colegas está preocupado com o faturamento, com o concorrente, e nem tem tempo para dedicar a família, quanto mais ajudar alguém a ter sucesso no mesmo nicho de mercado.

Se nada mudar, esse ranço vai se perpetuar, como tem acontecido a muito tempo, e eu tenho já mais de uma década de experiência, não é muito, mas dá pra entender algumas coisas, e aceitar outras que descem quadrado pela garganta.

Fica parecendo que eu devia ajudar mais e falar menos. É verdade, ano passado ajudei mais e me ativei mais. Neste ano outras demandas estão me consumindo, mas isso é mais uma desculpa para não ajudar mais do que poderia realmente.

Gilnei, segue a cruzada porque TODOS precisamos do estímulo, acho que uma paulada na moleira de vez em quando ativa a circulação do sangue no cérebro.

Os colegas me perdoem, mas as vezes fica difícil visualizar o que eu poderia fazer para ajudar o colega ao lado e ir a um evento importante para toda a categoria, pensando bem não é tão difícil ver que uma coisa puxa a outra.

Pode ser que no futuro eu consiga dar mais valor e respeitar o esforço de todo mundo, mas preciso me sentir parte de alguma coisa, pois se é pra lutar sozinho então nem cheguem perto, senão vai sobrar pra todo mundo.

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27
abr 2004
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