Otimismo

Nos últimos meses tenho recebido inúmeras manifestações sobre o atual estado da economia, estagnação de determinados setores, sufocamento de outros. Alguns empresários se queixam de maneira assustadora, outros ao contrário, dizem que tudo vai bem, de vento em popa. Mas como disse um motorista de táxi que tive o privilégio de conhecer a alguns dias atrás, ?parece que as pessoas ficam fingindo que tudo está bem?.

Eu não sou o dono da verdade, mas creio que as coisas não estão bem mesmo! Pela minha própria experiência, pelo esforço que temos feito nos últimos meses na empresa as coisas não andam bem, deveriam estar muito melhores. Mas vou ficar me queixando? Não, isso é apenas um tipo de desabafo.

Agora sim o jeito é se superar. As eleições estão quase aí, embora não devesse ser assim, muita gente deixa projetos e posterga decisões (ou ações, pois as decisões já haviam sido tomadas) somente para depois das eleições.

Mas vejo pelo lado bom, pelo menos uma parte do problema político do país vai ser solucionado. Acho que teremos uma boa renovação política. E esses novos entrantes, ainda um tanto quanto inseguros, vão demorar um tempo até serem corrompidos por algum tipo de transporte de valores que exista ou venha a ser criado para fins excusos.

Não pode ser que o país vá parar novamente, copa do mundo e eleições. Tomara que o Brasil traga msi um título, pelo menos à gente finge mais um pouco que as coisas estão bem…

E aí em novembro as coisas voltam ao normal, para – pelo menos aqui no RS – pararem novamente em dezembro. Pois no verão nada é decidido…

Vida longa para a Agenda Estratégica RS 2006/2020, que a centelha da inovação, superação e motivação permanece sempre acesa aqui no estado, pois do jeito que está, não dá para ficar.

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22
mai 2006
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Síndrome da descontrução

É interessante observarmos que eventualmente no processo de desenvolvimento de um web site, de um software, ou de algo parecido, mesmo se trabalhando com métricas, prazos e escopo definidos, e cumprindo tudo à risca, chegamos na hora derradeira (da entrega) e as vezes acontece um gap, entre a data da entrega por parte da empresa que desenvolve o serviço e da empresa que recebe o mesmo.

Esse gap, dependendo de como as amarras legais estão feitas, pode ser pequeno ou longo, porque independente do tamanho da empresa que contrata o serviço, são pessoas que estão na ponta dos processos, avaliando, recebendo, aceitando, recusando, criticando e finalizando as ações. Então prazos e prioridades mudam, às vezes sem o devido controle. O resultado é o que eu chamo de ?síndrome da desconstrução?.

E ela ocorre quando tudo está pronto, dentro do prazo e especificação, mas o tempo do gap é grande o bastante para as pessoas acharem que algumas coisas poderiam estar construídas de outra forma. E obviamente elas podem estar com a razão. Mas é prudente lembrar que tudo foi feito com embasamento e motivação técnica para ter sido feito daquela maneira. Então antes de iniciar o processo de desconstrução, cabe a quem desenvolveu verificar as amarras legais e informar isso novamente ao cliente. Não é quebrar os pratos, é foco.

Os pontos precisam estar bem amarrados. E o crédito de quem desenvolveu precisa ser respeitado, porque se estamos aqui até agora, é porque temos motivos para estar. E, quando tudo for ao ar, quando o software for distribuído, e por aí vai, aí sim, analisando os resultados, a performance, a utilização, ficará mais fácil ajeitar o que for preciso. Mas sem desconstrução, sem retrabalho desnecessário, apenas porque se perdeu o fio condutor inicial.

É preciso parar e refletir. Continuar é fundamental. Mas dentro dos objetivos iniciais.

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12
abr 2006
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Os novos empreendedores

Recebi um convite do professor e vereador Newton Braga Rosa, por sugestão de seus alunos e de personalidades da nossa TI regional, para participar de uma aula de sua cadeira de empreendedorismo, na UFRGS, Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

A idéia era falar um pouco da minha trajetória pessoal e profissional e depois responder às perguntas dos jovens sedentos de empreendedorismo. Fiquei muito surpreso, pois da última vez que falei a uma classe universitária sobre o tema eles pareciam bem desmotivados, e era numa universidade privada.

Mas não era este o caso, os alunos do professor mais do que interessados, eles foram inspirados pelo expoente de TI, e que nos últimos anos se dedicou – além da maestria das aulas de empreendedorismo – a levar a bandeira dos interesses das empresas de TI a todos os níveis da política nacional, buscando sempre melhorar as condições das empresas e dos empresários no geral.

Mas voltando aos jovens, falei um pouco de mim, do porque de ter me tornado empresário (às vezes isso ainda soa estranho) e meus objetivos e motivações. Fiquei realmente feliz ao ser bombardeado com todos os tipos de perguntas, por aqueles que vislumbram seu lugar ao sol, fico feliz que a centelha da inovação, criatividade e em empreendedorismo tenha ignido dentro da maioria que estava naquele teatro.

Lembrei de quando ingressei na universidade, onde o pensamento comum era que o colega ao lado era nosso concorrente, então nenhum tipo de informação deveria ser compartilhado, pois certamente ele me roubaria o emprego na repartição pública onde faríamos concurso logo mais para trabalharmos. Mas que quando retornei (entre idas e vindas) a metáfora do ensino estava renovada, os professores já davam a devida importância ao empreendedorismo, e a própria metáfora do código aberto e do compartilhamento de tudo, que a Internet nos proporcionou, ajudou a mudar isso. Fiquei feliz com a mudança, mas ainda tem muito para ser melhorado.

É motivante poder falar, por muito pouco que seja, sobre nossos próprios feitos, erros (que são os que ensinam mais) e acertos, e saber que isso motivará uma nova geração que está aí, dos novos empreendedores.

E tiro meu chapéu para o professor, que continuamente há vários anos faz desta tarefa uma missão de vida, motivando a maioria daqueles que passam por suas aulas a empreenderem em busca de seus objetivos.

Espero ter colaborado um pouco com isso. Mais do que empreender, a experiência adquirida nos últimos anos me faz muitas vezes refletir sobre minha missão aqui e qual será o meu legado para minha família e porque não para minha cidade, estado ou país.

De repente me deu mais vontade ainda de seguir em frente! E que o professor Newton mantenha suas aulas por muito mais tempo, até que empreendedorismo seja sinônimo de trabalho aqui.

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04
abr 2006
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Antes de vender tenha certeza de que sabe receber

Ao final de 2005, já contabilizando o balanço geral do ano que acabava, conseguimos ainda resgatar algumas propostas que pareciam perdidas, e fechar alguns novos negócios, mesmo que iniciassem realmente já em 2006. Entre eles um projeto para uma empresa de importação, sediada nos Estados Unidos.

Até aí tudo bem, não fosse a nossa falta de experiência em receber quantias oriundas do exterior ? o que parecia a primeira vista uma tarefa simples, tendo em vista que o cliente sinalizou que poderia pagar via cartão de crédito ou depósito bancário. Verificamos alguns sistemas de pagamento e optamos por um gateway famoso, recentemente adquirido por uma grande empresa ainda mais famosa.

Feita a cobrança, o cliente paga, em poucos dias chega um cheque nominal a minha pessoa (com o desconto de uma módica taxa de 2%), montante em dólares, de um banco global digamos assim. Primeiro passo procuro o banco global, disseram que fariam sim a operação, se eu fosse correntista, o que não era o caso.

Procuro meu banco, mas fui gentilmente informado que eles não faziam mais o serviço de ?compensação internacional? já havia alguns anos, ou seja, nada feito. Disseram-me que é um serviço ruim, pois o tal cheque pode ser sustado até cinco anos depois de pago pelo banco, e este tem que arcar com a devolução do valor, e ir atrás do cliente para cobrar o dinheiro de volta.

Contrariado, aceito e parto para o segundo banco, onde fui prontamente atendido pelo setor de câmbio, que amigavelmente informou ser uma operação normal, bastava apenas me dirigir à agência que eu tinha conta e fazer isso.

Ligo para minha agência para me informar, após me solicitarem algum tempo para o retorno, ligo novamente, e sutilmente sou informado de que era uma operação complexa, demorada (leva cerca de 45 a 60 dias) e que só é feita para clientes ?especiais?, o que não é o meu caso, pois só tinha dólares no cheque, não na cueca!

Bom, tentei de outras formas, networking é para isso, mas meus relacionamentos eram de outras agências ? do mesmo banco ? me sugeriram tentar trocar o cheque (mandar de volta) por uma transferência via ?Western Union?. Lá fui eu atrás do gateway, rapidamente me disseram que no meu caso só poderiam fazer transferência para uma conta corrente nos US, e o pior, o cheque que me mandaram não era passível de devolução e estorno.

Achei que tinha literalmente entrado pelo cano. A noite em casa vi um comercial do meu segundo banco, mostrando como ajudava o pequeno empresário, inclusive a exportar. Pensei, que banco é esse que me ajuda a exportar e não me ajuda a receber, não é possível, alguém precisa me ajudar.

Fui atrás da ouvidoria, foi a coisa mais fantástica, horas depois meu celular toca, era uma espécie de gerente de algum serviço do banco, muito educada, me pediu para voltar ao banco que a operação seria feita.

Não somente fui rapidamente lá, e fui extremamente bem atendido por um rapaz, que inclusive me conhecia aqui do Baguete (deve ser meu terceiro leitor, o primeiro é o Gilnei e o segundo minha mãe). E ainda, tive que emitir uma nota fiscal (mais um impostinho básico), com o valor aproximado, e ainda assinar um termo ou algo parecido, de que durante 5 anos me comprometo com aquele valor caso algo aconteça e tal.

Fica o recado, em cerca de 60 dias saberei se tudo correu bem. Moral da história: É preciso saber vender, mas também saber receber! E as vezes a gente acha que sabe de tudo…

P.S.: Hoje, no dia da publicação desta coluna, fui chamado no banco, tinha que ter “endossado” o cheque. Acho que agora vai!

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09
jan 2006
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B*nda larga – Parte II

Certa vez imaginei que assim que se tivesse acesso à banda larga as coisas iriam realmente mudar. Bom, a verdade é que assim que tive disponibilidade de fantásticos 256Kbps, lá por volta do ano 2000, às coisas mudaram, e muito!

Mesmo para checar e-mails e acessar web sites e grupos de discussão, a diferença foi notável. Milhares de dowloads depois, passou um pouco aquela necessidade de velocidade. Os negócios foram melhorando e a largura de banda aumentando sempre que possível.

Mas a melhor parte é essa. Não podemos esquecer das milhares tentativas de invasão ao nossos servidores aqui e ao PC em casa, que na maioria das vezes só atrapalhava, criava alguns transtornos mas nada que um reboot ou IP novo não resolviam.

Ainda assim as maravilhas que o acesso a banda larga nos proporcionaram, algumas pessoas ainda imaginam que a maior vantagem na grande velocidade é baixar cada vez mais mp3 ou arquivos de vídeo.

Digo que não. Para quem precisa de informação a maior vantagem da rede é essa. Encontrar milhares de links e arquivos com informações relevantes ao seu negócio, que mudem a maneira que você trabalha. E ter isso na velocidade alta o suficiente para refazer determinada busca ou filtrar milhares de resultados, das mais diversas fontes e formatos diferentes, isso sim é vantagem.

Mesmo assim, ainda iremos demorar para criar uma visão mais prática sobre o acesso à banda larga, por aqueles que o fazem com objetivos comerciais, criar uma consciência de que usar a Internet na empresa de maneira indevida é o mesmo que deixar uma torneira aberta ou se apropriar de algo que não é seu.

Outro aspecto é que com o aumento da oferta de serviços imagino (só imagino) que os preços devam cair assim como os tipos de serviços devam variam mais. Acesso via cabo, adsl, wi-max ou alguma outra coisa nova que venha para ajudar (e que fim levou aquele monte de fibra ótica que rasgou a cidade a alguns anos?), para usuário doméstico inclusive. Porque afinal é preciso jogar um pouco, melhor se for multiplayer, porque ninguém é de ferro.

Mas não se iluda. Você não está sozinho, não deixe a porta da frente da sua casa destrancada, nem seu PC sem firewall, não é legal.

Ficamos no aguardo da estabilidade dos serviços, da livre concorrência (que parece estar agonizando neste momento) e de mais largura de banda! Viva…

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21
nov 2005
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