Arquivo de abril de 2006

Síndrome da descontrução

quarta-feira, 12 de abril de 2006

É interessante observarmos que eventualmente no processo de desenvolvimento de um web site, de um software, ou de algo parecido, mesmo se trabalhando com métricas, prazos e escopo definidos, e cumprindo tudo à risca, chegamos na hora derradeira (da entrega) e as vezes acontece um gap, entre a data da entrega por parte da empresa que desenvolve o serviço e da empresa que recebe o mesmo.

Esse gap, dependendo de como as amarras legais estão feitas, pode ser pequeno ou longo, porque independente do tamanho da empresa que contrata o serviço, são pessoas que estão na ponta dos processos, avaliando, recebendo, aceitando, recusando, criticando e finalizando as ações. Então prazos e prioridades mudam, às vezes sem o devido controle. O resultado é o que eu chamo de ?síndrome da desconstrução?.

E ela ocorre quando tudo está pronto, dentro do prazo e especificação, mas o tempo do gap é grande o bastante para as pessoas acharem que algumas coisas poderiam estar construídas de outra forma. E obviamente elas podem estar com a razão. Mas é prudente lembrar que tudo foi feito com embasamento e motivação técnica para ter sido feito daquela maneira. Então antes de iniciar o processo de desconstrução, cabe a quem desenvolveu verificar as amarras legais e informar isso novamente ao cliente. Não é quebrar os pratos, é foco.

Os pontos precisam estar bem amarrados. E o crédito de quem desenvolveu precisa ser respeitado, porque se estamos aqui até agora, é porque temos motivos para estar. E, quando tudo for ao ar, quando o software for distribuído, e por aí vai, aí sim, analisando os resultados, a performance, a utilização, ficará mais fácil ajeitar o que for preciso. Mas sem desconstrução, sem retrabalho desnecessário, apenas porque se perdeu o fio condutor inicial.

É preciso parar e refletir. Continuar é fundamental. Mas dentro dos objetivos iniciais.

Os novos empreendedores

terça-feira, 4 de abril de 2006

Recebi um convite do professor e vereador Newton Braga Rosa, por sugestão de seus alunos e de personalidades da nossa TI regional, para participar de uma aula de sua cadeira de empreendedorismo, na UFRGS, Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

A idéia era falar um pouco da minha trajetória pessoal e profissional e depois responder às perguntas dos jovens sedentos de empreendedorismo. Fiquei muito surpreso, pois da última vez que falei a uma classe universitária sobre o tema eles pareciam bem desmotivados, e era numa universidade privada.

Mas não era este o caso, os alunos do professor mais do que interessados, eles foram inspirados pelo expoente de TI, e que nos últimos anos se dedicou – além da maestria das aulas de empreendedorismo – a levar a bandeira dos interesses das empresas de TI a todos os níveis da política nacional, buscando sempre melhorar as condições das empresas e dos empresários no geral.

Mas voltando aos jovens, falei um pouco de mim, do porque de ter me tornado empresário (às vezes isso ainda soa estranho) e meus objetivos e motivações. Fiquei realmente feliz ao ser bombardeado com todos os tipos de perguntas, por aqueles que vislumbram seu lugar ao sol, fico feliz que a centelha da inovação, criatividade e em empreendedorismo tenha ignido dentro da maioria que estava naquele teatro.

Lembrei de quando ingressei na universidade, onde o pensamento comum era que o colega ao lado era nosso concorrente, então nenhum tipo de informação deveria ser compartilhado, pois certamente ele me roubaria o emprego na repartição pública onde faríamos concurso logo mais para trabalharmos. Mas que quando retornei (entre idas e vindas) a metáfora do ensino estava renovada, os professores já davam a devida importância ao empreendedorismo, e a própria metáfora do código aberto e do compartilhamento de tudo, que a Internet nos proporcionou, ajudou a mudar isso. Fiquei feliz com a mudança, mas ainda tem muito para ser melhorado.

É motivante poder falar, por muito pouco que seja, sobre nossos próprios feitos, erros (que são os que ensinam mais) e acertos, e saber que isso motivará uma nova geração que está aí, dos novos empreendedores.

E tiro meu chapéu para o professor, que continuamente há vários anos faz desta tarefa uma missão de vida, motivando a maioria daqueles que passam por suas aulas a empreenderem em busca de seus objetivos.

Espero ter colaborado um pouco com isso. Mais do que empreender, a experiência adquirida nos últimos anos me faz muitas vezes refletir sobre minha missão aqui e qual será o meu legado para minha família e porque não para minha cidade, estado ou país.

De repente me deu mais vontade ainda de seguir em frente! E que o professor Newton mantenha suas aulas por muito mais tempo, até que empreendedorismo seja sinônimo de trabalho aqui.