Arquivo de setembro de 2002

B*nda Larga?

segunda-feira, 16 de setembro de 2002

No início de 2000 tive a felicidade de prover meu escritório e minha máquina pessoal de casa com modems de alta velocidade. O terror estava apenas começando.

É correto afirmar que o crescimento da banda larga tem sido muito grande, grande parte pela malha de cabeamento das TVs a cabo no Brasil, que por ser em sua maioria nova, suportava de maneira bidirecional a troca de dados entre computadores conectados através dela. E mais recentemente a massificação das tecnologias (qualquer letra) DSL, que tornou nossos obsoletos pares metálicos a última palavra em conectividade.

Mas alguma vez você parou para pensar que simplesmente conectou sua máquina ou toda a rede da sua empresa pura e simplesmente a todos os usuários de determinada tecnologia da sua rua, bairro ou cidade? Passou pela sua cabeça que talvez por não saber nada sobre protocolos de comunicação, grupos de trabalho, permissões de usuários e outras coisas você simplesmente abriu a b*nda para o mundo?

Desde que percebi o quão vulnerável minha empresa tinha ficado, após um grande amigo do submundo eletrônico, subversivo do meio digital – um simples hacker – me informou o arquivo que eu estava trabalhando naquele momento, e me criou novas preocupações as quais me achava livre – pois eu mantinha os anti-vírus atualizados – fiquei um pouco mais paranóico, mas aprendi rapidinho o que é manter a rede segura e o firewall bem configurado.

Não estou invocando ninguém a testar minhas vulnerabilidades, estou apenas alertando que é preciso ir um passo além de instalar e deixar a sua b*nda larga.

Não sei se posso dizer que alguém tem culpa, mas certamente o seu provedor não alertou você sobre isso, alertou? A sua máquina de casa está bem configurada e protegida? Sabe se o seu vizinho do escritório ao lado utiliza um port scanner pra saber o que tem ao lado da parede dele?

Dê uma verificada você mesmo antes de chamar o seu responsável pelo departamento de TI, ou o sobrinho do seu amigo que tem um monte de cds com programas: Gibson Research Corp, http://www.grc.com/, clique em “Shields Up” e depois em Probe my ports e Test my shields só pra ver.

E esse é só um teste, vamos nos cuidar para não deixar a b*nda mais larga que o necessário.

A parte oculta da web

segunda-feira, 9 de setembro de 2002

Como bom internauta que você é, já deve ter ouvido falar que a web é composta de cerca 5 a 8 bilhões de páginas, o mecanismo de busca OpenFind indexa cerca de 3,5 bilhões de páginas, o Google cerca de 2,4 bilhões de páginas, o AlltheWeb cerca de 2,1 bilhões e por aí afora. Mas porque a variação 5 à 8 bilhões?

A resposta é simples, ninguém sabe ao certo o tamanho da web, o que se faz é medir uma porção que é indexada pelos maiores mecanismos de busca, o que não garante o tamanho de qualquer maneira, pois se cada um tem seus critérios de avaliação e indexação, o que você encontra num pode não encontrar em outro.

Além disso, e a parcela da Web que não aparece, que não é indexada pelos “melhores mecanismos de busca” que você conhece, onde está a parte oculta da web? Ela existe?

A resposta é ela existe sim. Você precisa saber que os mecanismos de busca e seus critérios utilizados pelas suas “aranhas” (mecanismos que navegam pela web de link em link atrás de novas informações e atualizações para serem catalogadas – ou não) variam e excluem muitas informações as quais seriam relevantes. Normalmente alguma empresa cadastra seu site nos principais mecanismos de busca, e ele insiste em não figurar em nenhum deles, a resposta pode estar até no código da página, caracteres especiais, tags muito novas ou muito velhas, novas tecnologias, qualquer coisa que não deva ou “não precise” fazer parte da web, claro que não pelos nossos critérios.

Também é interessante pensar sobre outros pontos de vista, a parte oculta da web pode não estar publicada naquilo que entendemos por “páginas”, pode estar dentro de outros tipos de arquivos (Arquivos adobe acrobat – PDF, por exemplo), e o que é mais comum, dentro de bancos de dados que estão conectados aos seus web sites. E pelos critérios… Nunca aparecerão.

Tenha em mente o seguinte, se você quer realmente encontrar as informações que procura, tem que ir ao lugar certo, fazer uma busca por um número de telefone no Google não é a maneira mais recomendada para encontrar a pessoa que responde por ele. Você deveria utilizar um mecanismo do tipo páginas amarelas ou ainda, um “Meta Search Engine” de sites de cadastro de listas telefônicas. O objetivo deste artigo é fazer você pensar a respeito.

Prometo publicar no próximo artigo dicas de mecanismos de busca, meta mecanismos, e outras coisas que vão fazer você arrepiar sobre a sua privacidade na web, mas isso já dá muito mais pano para a manga…