Arquivo de julho de 2002

Informação x Design

quarta-feira, 31 de julho de 2002

Desde que a web é web, tem-se algumas idéias a respeito do que é certo e do que é errado, em se tratando de design e do conteúdo das páginas. Uma corrente de web designers prima pelas belas interfaces, onde os tons, as imagens e as “coisinhas de clicar” se sobrepõem ao principal, o conteúdo. Não que a Internet tenha que ser um lugar feio, mas existe uma barreira a ser ultrapassada.

Também não adianta pensar somente nas estruturas de TI de milhares de reais, dando suporte a diversos sistemas integrados, onde simplesmente o usuário não consegue encontrar a informação. Onde ela não seja trazida de forma tão delicada que pareça uma peça moldada pelas mãos divinas, mas que tenha o efeito de uma martelada aplicada pelo companheiro do inferno.

Em 1998 a IBM lançou uma campanha agressiva de marketing, você deve lembrar, ela falava algo do tipo, o que você está fazendo, precisa de alguma solução de e-commerce da IBM, ou não vai dar certo. No site da IBM na época a ferramenta mais utilizada era a busca, porque o site não era suficientemente claro e intuitivo para o seu público. O resultado disso foi uma força tarefa que levou várias semanas e refez o web site. Na primeira semana após o relançamento do site, a utilização da ferramenta de busca diminuiu cerca de 80%, porém as vendas aumentaram em cerca de 400%.

O que eu quero dizer com isso? Quero dizer que o planejamento é importante, e quem manda é o usuário. Diversas vezes me deparei com o conflito de ter que explicar ao cliente que o ele gostaria de ter não é adequado ao que o público dele espera. Em outras palavras, devia convencer ele a me pagar para não deixar que ele fizesse o que ele gostaria, mas o que meus profissionais experientes definissem para o negócio dele. Não precisa pensar muito para imaginar o que aconteceu em diversas vezes.

Do surgimento até hoje, temos o salto do hipertexto puro para a interface multimídia dos sofisticados sistemas de retaguarda. É correto afirmar que o que tentamos explicar como as necessidades do usuário e os objetivos reais do web site são quase que abstratos no seu conceito. Porém a real característica de um web site é definida a partir das suas especificações funcionais, conteúdo, arquitetura de informação, interatividade, navegabilidade e interfaceamento com o usuário, e estes dependem, ou melhor, são extremamente facilitados pelo design. O design é a forma de apresentar a informação e facilitar sua compreensão.

Eu não quero falar o óbvio, mas pense um pouco a respeito. web designer, consulte um designer. Designer, consulte um programador. E você que vai se tornar meu cliente, é uma boa idéia consultar o seu cliente primeiro. Ele é quem manda.

Dicas de software de segurança de dados

segunda-feira, 22 de julho de 2002

Esta semana vamos falar um pouco sobre segurança. Nestes tempos em que você nem sabe o que recebe por e-mail e nem precisa ler a mensagem para contaminar toda a rede da sua empresa, a dica é a seguinte.

Se você é usuário de computadores portáteis ou não tem certeza que seu colega respeita sua privacidade, seguem algumas sugestões:

1 – Secure Notes Organizer
O Secure Notes Organizer permite que você organize suas informações de forma hierárquica, faça busca por palavras-chave, e ainda por cima proteja tudo com senha. Mas não é uma senha para executar o software somente, a senha e os dados são encriptados por um algoritmo de encriptação do tipo “strong”. Vão ser necessários muitos processadores rodando em paralelo para quebrar isso. Além de ter uma cara que lembra o Outlook, os níveis de organização permitem criar diversos tipos de “folhas”. O banco de dados tem um “engine” proprietário, que além de rápido ainda compacta o arquivo pra manter o tamanho o menor possível. Ainda de quebra possui um utilitário para compactar arquivos externos. Imagine que ao invés de instalar um PGP ou outro tipo de mecanismo de segurança ou autenticação no seu software de e-mail, você combina com o destinatário uma senha e envia os arquivos invioláveis como anexos comuns e lá ele faz a operação reversa para reaver o arquivo. Sem precisar ter o SNO na máquina dele. Se você receber algum arquivo que precise ser destruído, pode fazer isso com o apagador de arquivos, que é seguro e obedece aos padrões do governo americano para destruição de arquivos eletrônicos. Ah, e tem mais: a interface é em português “do Brasil”. Custa US$ 29,95 para usuário doméstico e US$ 39,95 para usuário corporativo. Comprando em volume, tem desconto. Optando pelo “bundle”, que vem com outros softwares adicionais, é possível que fique até mais atraente para o bolso.

Quem: Secure Action

Design and usability

domingo, 14 de julho de 2002

Uma coisa ficou clara para mim recentemente. Existem hoje duas grandes correntes no que diz respeito ao desenvolvimento de sites na web. A primeira é a corrente daqueles que primam pelo design (leia-se design tudo aquilo que além de bonito vem piscando, pesando e fazendo streaming pelo seu link de banda larga). A segunda corrente é aquela dos que consideram a praticidade da interface acima de tudo (usability).

É possível inclusive definir os dois grandes gurus de cada grupo. Jakob Nielsen do MIT e Gene Na da Kioken. O primeiro é ardoroso defensor da usability. O segundo é um designer de mão cheia. Ambos tem suas páginas, seus mandamentos, seus seguidores e publicam análises de sites de grandes empresas (como a Sony, por exemplo), dizendo onde estão errando e onde estão acertando nas suas iniciativas on-line.

Na minha opinião, os dois têm razão, mas vamos aos fatos:

1 – Não estamos mais em 1996, portanto, a resolução das telas não é mais padronizada pelos 640×480 pixels. Só que também não dá para generalizar com os 1024×768 pixels ainda;

2 – Os modems não são mais 28.8 Kbps, mas nem todos ainda possuem links de banda larga. Então, dá para dizer que a média está em 56 Kbps;

3 – 84% dos sites colocam seus logos na parte superior esquerda;

4 – A caixa de pesquisa na parte superior direita com 35%, na esquerda 30%;

5 – A média de largura das páginas é 770 pixels

6 – Com relação à distribuição do conteúdo, é necessário pensar sempre em: hierarquia e organização. Lembre-se que o usuário leva 30% de tempo a mais para ler um material on-line do que num impresso. Além disso, raramente ele navega abaixo do 3º nível da estrutura de um web site;

7 – É claro que também não adianta fazer um web site anêmico. Se você estiver desenvolvendo um projeto sério de e-commerce, é importante transmitir uma mensagem clara, imediata e forte, que reflita no seu negócio.

8 – Entenda que o design de um web site está para o usuário como o mouse está para um usuário de um software qualquer. Mesmo sem mouse ele deverá conseguir utilizar o software, o mesmo precisa ser feito para seu web site;

9 – Vale a máxima do design. Um design com conceito universal atinge todas as pessoas de todas as idades;

10 – Finalizando, lembre-se de testar o que você faz. Mas não faça isso com o seu programador ou com o seu designer. Teste com o público para o qual você desenvolveu!

Para saber mais sobre os “gurus”, de uma olhada nos seus respectivos sites, http://www.useit.com/ e http://www.kioken.com/.